quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Eu não (sei se) sou maluca

Quando criança, ainda cedo aprendi a estalar meus dedos. E, assim que aprendi, aprendi a gostar de estalar os dedos. Uma, duas, dez vezes em uma manhã. E mais à tarde e mais à noite. De madrugada, enquanto eu dormia na cama da minha mãe (eu era o tipo de criança que dormia no quarto da mãe, mas, no meu caso, a desculpa única era a presença do ar-condicionado), ela dizia que toda madrugada eu "acordava", sentava na cama, estalava meus dedos, e deitava novamente.

Quando passei a dormir sozinha, já não sei mais o que se dava. Mas achei que havia passado a fase. A "novidade" dos dedos barulhentos (os meus são super barulhentos). Aprendi a estalar os dedos dos pés. O tempo todo consigo estalá-los. E, de vez em quando, enquanto faço as unhas, a manicure se assusta com o barulho.

E então, dormindo por aí, na casa da amiga em BH, com o amigo dormindo no colchão aqui no quarto, o relato do susto na manhã seguinte: acordei com você dormindo e estalando os dedos! E, de acordo com os relatos, eu não fico mais sentada. Economia de energia, e sono mais reparador.

Não acho carnes gostosas. Como quando tem. Tá na mesa, é pra comer sem reclamar. Foi assim que eu aprendi lá no semi-internato, com Irmã Heloísa botando a gente pra comer sem achar ruim. (Tinha muita criança morrendo de fome, e a gente reclamando de barriga cheia, literalmente. Não podia.) E a carne que eu mais gosto, é a que todo mundo detesta: fígado.

Aí, de sobremesa, nunca aceito sorvete. Nem picolé. Não gosto de sorvete, não gosto de picolé. Na adolescência, comecei a usar aparelho nos dentes, que eram de assustar um, e todo mês eu passava uns cinco dias à base de sorvete. Hoje não tomo mais.

Também não gosto de pipoca. Como quando tô com muita fome. De vez em quando eu chamo o pessoal pra ver filme aqui em casa, e como sou mal-educada e desaprendi todas as regras de etiqueta que a minha mãe me ensinou, esqueço de comprar comida suficiente. É que, na verdade, o filme é sempre uma desculpa pra beber cerveja, então são as garrafas de Heineken que importam. Aí, além da pizza, um pouco de pipoca. Como meu estômago multiplica-se de tamanho enquanto eu como, não sei por que, eu boto uma pipoquinha na boca. Sem sal!

Eu sou das poucas que gosto de comida insossa. Insonsa, como de vez em quando eu digo.

Sou uma pessoa bem organizada... Na verdade, tenho mania de organização. Às vezes, é um transtorno obsessivo compulsivo. Teve uma vez que eu chorei porque tinham desarrumado minha estante. Foi. Cheguei em casa e minha mãe tinha resolvido organizar os livros por um critério qualquer que não era o anterior. Eu olhei pra estante e os livros estavam até arrumados, mas sob outro critério, de acordo com a organização de outra pessoa, logo, desorganizados. Eram os meus livros! Fora do lugar! Com etiquetas embaixo deles e tudo, coladinhas na estante. Chorei, chorei. Arrumei tudo de volta, suando até. Hoje em dia, minha mãe pouco entra no meu quarto. E manda mensagem avisando quando precisou tirar algo do lugar ("peguei um clipe vermelho e outro lilás").

Eu não sou maluca... Assim, demais.

Um comentário:

Fábio Farias disse...

Você gosta de fígado???