quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Monólogo imaginário

É o seguinte. É que eu tenho uma visão muito romântica das coisas, sabe? Sou contra essa história de trabalhar pura e simplesmente pelo contracheque. Eu também acho massa, imaginar os seis, oito, treze, vinte e três mil no fim do mês, digaí!, oito ou treze ou mais e mais... E ficar fazendo as contas de quanto é possível economizar mês a mês, e de quanto terei em dois, três, cinco anos! Meu Deus! E pensar no que gastar, quer dizer, investir esse dinheiro. Para então juntar mais, e investir mais. E, nesse meio tempo, divertir-se no final de semana com ele. Porque a vida só vai te dar a chance disso. Sim, só. Eu acho pouco.

Se eu tiver que me sentir triste no domingo à noite porque, da segunda até a sexta, eu terei de dispor quarenta horas fazendo qualquer-coisa-que-no-fim-do-mês-dê-dinheiro, e essa qualquer-coisa não me agrade, não tenha nada a ver com o que eu estou estudando há tanto tempo (e para o que eu passei outro tanto tempo estudando para conseguir estudar isso de agora!), sinceramente...

Toda manhã, às 7h, um respirar fundo porque terei um dia inteiro sem fazer o que eu gosto. Ou, em alguns casos, fazendo o que eu não gosto. Pra me contentar em à noite, ter tempo para ler um livro ou tocar projetos paralelos (?), ou seja, buscar satisfação em outros lugares, porque o que importa, menina!, tá por fora, é o que vem escrito no seu contra-cheque. Ali, em algarismos arábicos. Pode vir escrito por extenso, em romanos. Eu não quero sofrer de segunda a sexta.

Passei períodos inteiros em sofrimento absoluto, digo sem exagero e com todo o direito da verdade, sofrendo de segunda-a-sexta. Porque eu ia lá fazer o que eu não gostava. O que não me dava prazer, e tudo por um diploma no final de dez semestres. Até chegar o dia em que os caminhos se tornaram mais variados. Fui lá, procurei, encontrei. Tá dando certo sim. Eu sei, isso pode até acontecer nesse futuro-perfeito-do-contra-cheque-vultoso, mas eu não quero correr o risco. Muito menos passar mais quatro anos, ou dez ou vinte, até que haja alguma satisfação. Se é que vai haver.

Deixa eu pensar. Deixa eu escolher. Deixa eu estudar quando for para o que eu quiser. Não digo que vai ser fácil, mas talvez até seja! As boas oportunidades (sempre) aparecem quando a gente espera por elas. As boas expectativas são mais poderosas do que uma conta corrente valiosa... Nunca tive uma conta corrente valiosa, mas as boas expectativas há muito tempo estão comigo e eu te garanto isso que te disse, sim.

Eu ainda não me decidi. Mas o caminho é meu. E as semanas que virão, no decorrer de vinte e cinco anos ou mais, antes da aposentadoria, quem as viverão serei eu. Não tu! Desculpa a desilusão. Eu sei que você ficou tão empolgado que começou a se comportar e a me incentivar como se você fosse eu.

E os pequenos feitos que eu conseguir porque eu quis, comemorá-los-ei (relembrei isso, estudando hoje). Com muita gala, digo, com muita euforia, e, principalmente, tranquilidade, porque eu conquistei o que conquistei porque eu quis. E nessa minha curta vida (que já acho longa, e por vezes abrevio minha idade para parecer que tenho mesmo menos de 21), eu já aprendi que o que vale a pena conseguir não é o mais difícil ou o mais aparentemente inalcançável, adjetivo esse tão glamuroso, né. Mas o que vale a pena de conseguir é o que a gente quer de verdade. Pode ser, sim, o concurso público. Mas pode ser o sorvete no dia quente ou as flores inesperadas. Se foi o que você quis, parabéns: grande feito.

Um comentário:

Anônimo disse...

mulher vc é muito poderosa! ai como eu babo com seus textos!!!!