terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Invasão de espaço

Sabe você na sua faixa, no trânsito, e o motorista da frente, teoricamente na faixa vizinha, mas com 1/3 do carro dele também na sua faixa? Invasão de espaço.

Sabe você comendo um sanduíche, um salgado, um cachorro-quente, e a pessoa: me dá um pedaço? Invasão de espaço. Pedir um biscoito de dentro de um pacote, um pouco do seu doritos, até um gole da sua água, tudo bem, claro. Mas morder a mesma comida que você morde, ali, na sua frente, não. Peça dinheiro emprestado. Ou deixe pra comer em casa. Ou compre você seu lanche, filadaputa, mas não coloque sua boca onde eu coloco a minha.

Também: usar o SEU garfo para tirar algo do MEU prato. Peraí! Por que? Você mora na rua? Sua infância foi tão miserável que hoje você não se aguenta vendo o prato de comida dos seus amigos, e tasca SEU talher no prato DELE? Quem disse a você que isso é normal? Isso é invasão de espaço, fique você sabendo.

Você tá lendo uma revista, ou no notebook, na sala de aula, e um coleguinha, sentado ao seu lado, ou bem atrás de tu, cheirando seu cangote, olha junto com você. Invasão de espaço.

E por falar em cangote, as pessoas precisam entender que, quando em uma fila, aproximar o máximo possível da pessoa na sua frente, cheirar seu pescoço, orelha, saber qual condicionador ela usa, além de respirar (bufar) no ouvido dela, não vai fazer a fila andar mais rápido e é, também, invasão de espaço.

Você, estudando, sua mãe entra no seu quarto e vai abrindo as cortinas, porque tá muito escuro, abre a janela, porque tá uma quentura no quarto, as fotos do mural caem, voam, as folhas do seu caderno batem na sua cara, e ela fica no seu quarto olhando seus objetos pessoais e se esforçando para pensar em algo para dizer. É um pouco de carinho misturado com carência, e, tá, amorzinho-de-mãe, mas é invasão de espaço também.

No ônibus, e o sujeito ou a sujeita do seu lado decide, por bem, conversar com você. Sobre as pessoas que sobem no ônibus e pedem, sobre a sua escola (maldita farda que denuncia), sobre aquele ônibus que demora demais, e que teve uma vez que ele ou ela esperou o danado por mais de 45 minutos, mas que, pior que aquele ônibus, só aquele outro... Enfim. Invasão de espaço.

Ouvir Raça Negra no carro, bem alto, com os vidros abertos. Invasão de espaço pura e simples.

E você que não tem intimidade comigo, me vê com feições plácidas (?), cara de quem está distante, e pergunta: "tá pensando em quê?!".

Por favor!

Obrigado.

Um comentário:

Júlio Cézar disse...

Tu virou uma teórica do espaço agora. Fiz minha prova do mestrado e o assunto era só isso: espaço. O que é espaço? e bla bla bla. Não aguento mais!