terça-feira, 27 de março de 2012

Às vezes a gente aprende

Como é mesmo que a gente aprende? O que mais a gente ouve, o que mais a gente internaliza, transmite, insiste, aceita sem obstáculos? No que acreditamos piamente de tanto ouvir, que nunca paramos para pensar no que nos está sendo dito?

"Não desista!". Não. Não desista. Nunca desista! Você consegue! É possível. Basta acreditar e... não desistir!

E o que nos fica? Não desistindo, aí está, você venceu. Não o cansaço, não a resistência, a desistência, mas a si mesmo. E por quê? Quem foi que disse que não devemos e não podemos desistir? Qual o propósito? É só assim que avançamos? Sem desistir, pondo um pé a frente do outro, os olhos sempre para o horizonte, e nunca um pouco para trás, voltando alguns passos, desviando do caminho, até parando, sim, parando!, e pensando um pouco mais, e fazendo outras escolhas.

O mais próximo, digo, humano, que conseguimos disso chegar foi a idéia de: cada escolha implica uma renúncia. E, assim, desse modo, a renúncia, o seu não, uma suposta desistência (não ativa, porque ativa foi sua escolha, a desistência não é desistência, é renúncia!) não é encarada desse modo. Porque é feio desistir. A gente não pode, não deve fazer isso. Ainda mais se for servir de exemplo, ou mesmo de falação: e o que os outros vão pensar? O que vão dizer de mim? Meus pais vão ter tanto desgosto!

Ei. Desistir é tão importante quanto escolher. Engana-se você que pensa que sempre tem de ir até o fim. Não se considere vencedor só por não (nunca) desistir. Respeite esse status! Persistência e insistência são valores relativos. Não pense que tê-los faz de você alguém melhor. Às vezes pode fazer de você um babaca. Me desculpe, mas é verdade.

A gente deve, sim, desistir algumas vezes. Abertamente, abruptamente, parando, pensando, e anunciando (para si mesmo, antes e mais importante de tudo): desisto. Aqui eu fico, aqui eu paro. Quero um caminho diferente. Quero pensar em um caminho diferente.

Estamos, cada dia mais, deixando de cultivar e respeitar o valor mais humano que temos: a liberdade. De escolha. De renúncia. E, principalmente, de desistência. Não é feio! Eu sei. O primeiro pensamento que pode te vir à cabeça é o de: coitada; desiste tanto e tão fácil de tantas coisas (!), que agora quer nos convencer de ser esse o melhor caminho.

Será? Talvez eu seja, viu, perdedora, a loser do pedaço. Não me importo. O que importa é que desisti, ou melhor, aprendi a desistir, aprendi a ver que isso nem é feio, vergonhoso, ilegal. Pelo contrário. Me deixou feliz, me fez respirar, me deu ainda mais vontade de cuidar ainda melhor de um outro caminho: o meu de verdade, o que eu escolhi, o que eu quero para mim. O caminho livre, só meu, o feliz.

Um comentário:

-sOliNo- disse...

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