sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mal educando

Do verbo ser mal educado.

É que a gente foi lá, né, no restaurante legal, da comida boa, o lugar meio chique, onde devia haver gente fina, no sentido pejorativo, não de simpatia, gente fina de simpatia só existe me lugar de pobre, já aprendi, pra ter um momento ispicial no aniversário de namoro.

Até que não tava cheio, então, viva, vai ser ótimo. A garçonete fingindo sorrisos não seria um problema. Nem o garçom esquecendo os pedidos e demorando a trazer uma garrafa d'água. Imagine. É Natal. Estamos acostumados com isso. (Que pena.)

Tudo tranquilo até chegar o irmão de um político do estado, alguém que talvez se ache importante. Talvez. Ele pareceu não se achar importante. Mas a mulher dele, a amiga de mulher, o marido, o outro casal, e todo mundo, chegaram fazendo balbúrdia suficiente para todos verem quem tinha acabado-de-chegar. Quem? Sei não. Sou da plebe. Não conheço nomes, sobrenomes nem rostos.

Depois de oito minutos para conseguirem se acomodar, à mesa que para eles já estava reservada (?), é, também não entendo qual seria a dificuldade, uma das três mulheres escolheu falar muito alto em determinados assuntos.
"Ah, sim, eu fui a Los Angeles, mas agora eu só vou a San Francisco." Gritando. Vamos colocar em caps lock para ver.
"AH, SIM, EU FUI LÁ A LOS ANGELES, MAS AGORA EU MESMA SÓ VOU A SAN FRANCISCO!!!"
Ninguém queria saber do mal gosto turístico dessa mulher.

Ela falou mais três vezes em Los Angeles e San Francisco.
Quando foi falar da amiga que foi a Chicago, aproveitou para falar mais alto o CHICAGO. Poderia ter aumentado o tom somente nas duas sílabas, que ia combinar mais com ela. E a outra amiga da amiga, também à mesa, falou dos quinze graus negativos. "MENOS QUINZE?!?!?!?!". E começou a discursar (ela não estava conversando, claro, mas discursando), sobre o frio, temperaturas hostis, ambientes glamurosos e gelados pelos quais ela já havia passado. Chique, ela, né? Chicago.

Um casal jovem sentou na mesa à nossa frente. E, enquanto terminávamos nossa janta, o rapaz fez questão de assoar o nariz. Três vezes. Derrubou a carteira e as moedas no chão, e arrastando a cadeira para trás com a maior força que podia (e ele era forte!), apanhou as moedas. Pegou outro guardanapo e tirou ainda mais catarro de dentro de si.

Tudo normal.

Na saída, vinham duas peruas e um peru, este carregando uma criança grande nos braços, porque a menina tinha adormecido. Como a menina parecia ter uns 12 anos, afastei-me da passagem para que ele pudesse passar na minha frente e levar a criança para o carro. Passou ele, a criança, as duas peruas, e mais duas semi-peruas, que eram outras crianças acompanhando-os.
"DE NADA, BOA NOITE PARA VOCÊS TAMBÉM." Foi como respondi ao silêncio e indiferença deles, pessoas que, não sei por que, acham extremamente normal os demais abrirem caminho e darem passagem para seus saltos altos e má educação.

É claro que falei alto. Depois de gente discursando e assoando o nariz, quem sou eu para me importar.

Ah, gente fina...

2 comentários:

Ludxi disse...

ai bia mulher, vc fexa com esses textos!!!!!!!

-sOliNo- disse...

por isso que só frequento lugar peba, frequentado por gente peba como eu e não pior :)