sábado, 16 de junho de 2012

Às vezes é possível.

Sim, é verdade. Você vai abrir os olhos e não querer levantar-se, tomar o banho, comer às pressas para ir à aula do sábado. Você não vai. Você vai. Você vai dirigir em silêncio, no silêncio, ou com música sem perceber que a música toca, na rádio, sempre as mesmas músicas han?, e vai se perguntar "para quê". E não mais o "por quê". Esse não mais interessa.

Você vai chegar atrasado. Você vai quase bater no carro da frente. Você vai ter vestido a roupa errada, esquecido o remédio antes de sair de casa, saber seu aspecto é de quem já morreu e não sabe - continuou andando como se estivesse vivo.

Uma notícia ruim. Depois, a passagem que ontem estava barata, e hoje dobrou de preço, e você não sabe quando vai poder visitar teu amigo. Tudo ficou mais longe. A loja com o fichário exatamente como você estava precisando. Acabou. O fichário não, a loja. Tá fechada, e seu restaurante preferido não existe. Você não tem um restaurante preferido. Você  não tem nada de preferido nessa vida.

O sapato vai apertar e você vai sentir dor de barriga no momento mais inoportuno. A náusea vai retornar, em todos seus aspectos e sentidos, literais ou não. Os olhos que, ou ardem, ou lacrimejam, lacrimam, choram, enfim.

Vai tudo dar errado. Vai tudo sempre dar errado, se você acorda e lamenta por isso.

Que o poeta te conforte. Que seu autor preferido escreva recados para você sob a forma de crônica no jornal. Que tua melhor amiga te escreva o recado e o poema que teu poeta e teu autor preferido fizeram para você. Tomara. Isso salvará seu dia.

Um comentário:

Marina disse...

Estarei aqui, ainda que o poeta não te conforte.