domingo, 3 de junho de 2012

Por enquanto

E enquanto a gente detiver nossas madrugadas de sábado para dividir e multiplicar, sim, ao mesmo tempo, esse único amor, para fazer e sentir esse amor, e para dormirmos juntos nessa mesma cama de solteiro, nesse quarto de poucos móveis e de silêncio absoluto. E enquanto nos detivermos a esses domingos que se arrastam, que bom para nós dois que se arrastam!, gastando, ou até investindo, horas de sono, de sonhos, de sono compartilhado, de sonhos compartilhados. De beijos, e tantas gargalhadas, enquanto a gente finge que o dia só existe para nós, por causa de nós.

E enquanto nossos abraços falarem mais aos outros que as declarações explícitas, que o carinho público, que o olhar penetrante e compenetrado, enquanto as caretas também falem um pouco disso. Enquanto as letras que eu inventar, repetitivas e ridículas, tão ridículas que ficam românticas, pois parece que esse é o caminho mais curto de algo tornar-se romântico, e sempre empregadas na mesma melodia, irão te fazer rir, sorrir, dizer "não, tá bom!", porque uma música com seis palavras e essa voz desafinada já mais que te bastam.

E enquanto o tempo passa, e pára, pára, e depois passa voando, enquanto os planos existem, e não se concretizam, enquanto os sonhos existem, e já se concretizam, pois meu sonho é nossa felicidade, nosso sonho é minha e sua felicidade, enquanto tudo isso houver, eu sou esse amor multiplicado, sou a felicidade infinita, sou até os números que não existem, aquele tal do "i". Eu sou tudo isso, e muito mais. Por enquanto, que será para sempre por enquanto.

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