segunda-feira, 16 de julho de 2012

Do jeito que pensava

Dizia que se fosse para amar, que fosse por inteiro, por inteira, no estilo de estar louco. Achava que só valia a pena se fosse assim. Se dedicasse suas horas acordadas para o amor, as horas insones para o amor, o sonho para o amor, e só sonhos, e sem pesadelos. Só valeria a pena assim.

Para ela, era preciso ser o momento único, dos dois, presente, e, ao mesmo tempo em que fosse presente, fosse eterno, e infinito. Precisava sentir as chamas, que ocorrem junto com os frios na barriga, e que se complementam, contraditoriamente. Dizia que só assim iria amar.

Sonhando de olhos abertos, fazendo e desfazendo planos, vivendo as noites de segunda, terça e quarta e todos os dias da semana. Esperando a ligação do fim do dia. Sabendo que o cinema era logo em breve. Que o café seria no sábado, e no domingo comeriam brigadeiro depois da tarde na livraria.

E que ia sentir ciúmes, e que ia sentir raiva por sentir ciúmes, e que ia sentir raiva de quem a fazia sentir ciúmes. E que tudo isso era sinônimo de felicidade, porque amava. Era só assim para sentir-se completa, inteira por inteiro.

E enquanto respirasse sorrisos, flores, banhos de mar, enquanto vivesse os segundos do dia, e não somente os dias, enquanto os dias passassem sem que se desse conta, porque vivia e amava e não aguentava de ansiedade por esperar o próximo beijo e os abraços e afagos no carro, na despedida. Era inteira. Era ela. Era feliz.

Um comentário:

Anônimo disse...

E quase nove anos depois ainda é exatamente assim que eu me sinto... Lindo texto, Bia! Ass. Marcela Rocha