terça-feira, 24 de julho de 2012

Diálogo. Digo, monólogo.

Falei para ele que as inscrições do vestibular começaram hoje. Citei um mestrado em escrita criativa, lá pelas bandas do sul, descoberto só ontem por mim. (Ah, se eu soubesse...).
Mas não precisa. Não vale a pena. Não é assim. Escritor não se faz com mestrado. Escritor se faz, fazendo, escrevendo. Cascudo, Cervantes, e para lá dos sobrenomes ilustres, nenhum desses, minha filha, nenhum desses. Não precisa de formação. Não precisa disso. As pessoas só inventam as coisas. Isso tudo é invenção. Isso não faz um bom escritor. Não precisa de mestrado pra ser escritor! Que história é essa?
Mas eu não disse isso. Ninguém disse isso...
Não, não... Olha, você pode fazer o que você quiser. Quiser fazer mestrado em literatura, faça. Vá. Pode ir.
Hum. Quando é pra fazer mestrado em psicologia, total apoio. Como se isso fosse fazer de mim um boa...
Não, não, você faz o que você acha que deve fazer. É a minha opinião. Se não quiser aceitar, problema seu. Mas é a minha opinião.
O senhor é muito radical.
Ainda bem!
Faz mal pro coração ser assim.
Faz não. Faz mal pro fígado.


Então tá bom. Eu tentei explicitar o que nem todos sabem o quanto é óbvio. A urgência de mestrados e doutorados vão na contra-mão da abrangência. Falo da minha área, a única que experimentei até agora. Até agora. (Ouviu, pai, ouviu?). Pelo simples comodismo, te aconselham emendar as pós na graduação. E o pior: fazem com a desculpa ultrajante de que isso é qualificação.
Olha, posso estar falando do alto da minha não humildade e da burrice de um formando, a raça que se diz inteligente, mas a academia está longe de fazer de você um bom profissional. Não é diferencial. Não é experiência. Não é sinônimo de trabalho qualificado. Longe de ser. Você não vai aperfeiçoar seu ser psicólogo. Você vai estudar um monte de teoria, e... saber um monte de teoria. Vai saber fazer pesquisa também. E essa é a única coisa que você vai poder fazer com o monte de teoria: pesquisa. Porque não vai te garantir que você poderá ser um professor, dos bons, como se espera. Todos acham que o mestrado te transforma ou em um melhor psicólogo, ou em um bom professor. O doutorado aperfeiçoa. Mentira.

O que te faz um bom psicólogo não é pós-graduação acadêmica. É a safada da experiência. Exatamente, você não vai ser um bom psicólogo no ano que vem, tu que está se formando hoje. Nem nos próximos cinco anos. Mas vai ser assim que você vai começar a ser.
E, ao contrário de você, quem passar os próximos cinco anos fazendo pesquisa vai estar se transformando em... um bom pesquisador. Ou não.

A academia não está aí pra fazer de ninguém melhores profissionais. A academia só existe para produzir conhecimento. Para ela mesma. Porque pra esse conhecimento sair de lá, meu bem, é uma outra história, que precisa de mais mãos e boas vontades (é no plural porque tem que ser de muitas gentes) do que você imagina.

Quiser fazer mestrado, faça. Doutorado, faça. É só pelo título, faça. Eu acho medíocre, mas, é só minha opinião, se você não quiser aceitar, problema meu, que perdi tempo escrevendo tudo isso.

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