sexta-feira, 24 de agosto de 2012

E no futuro? No futuro, o quê? Esqueci.

Não tenho mais memória. Não tenho mais sistema de post-its neuronais, não consigo fazer minhas sinapses funcionarem mais. Como é, moço? Amanhã, depois do meio-dia, já posso vir pegar o remédio? Tudo bem. Até amanhã. Esqueci. Esqueci. De novo. Isso foi na terça. Ou quarta...

Não anotei no celular, aí perdi. Aí anotei no celular, pra apitar, avisar, deixar lá com exclamações ou em caps lock (saudades do tempo em que minha memória funcionava com caps lock e exclamações), mas também esqueci. Porque eu olhei, e, no minuto seguinte, não me lembrei mais que tinha olhado. Não lembraria do que eu havia olhado. E o que do que? Dos seis lembretes no visor do aparelho, logo na minha frente, mas eu não lembro qual especificamente eu fui olhar e qual eu tenho que fazer agora. Daí preciso olhar novamente.

Atualizei minha agenda. A cor de rosa, grande, com dias longos, para caber de tudo... Escrevi a dessa semana, escrevi da semana que vem. Está tudo lá. Mas eu esqueci de anotar algumas coisas. E das que eu anotei, eu esqueci. Olhando, esqueci. E esqueci de olhar. Não lembro mais.

Os telefones dos meus amigos eu só sei de cór os mais assíduos (?), sabe, porque, por algum motivo que eu nunca entendi, meu celular não grava nomes das pessoas no espaço do sms. Mesmo que os tenha na agenda. Não grava porque quando me mandam sms, me mandam com ddd 084. E então, fui deixar meus números todos com o 084 ou só 84 na frente, pra quando as mensagens chegarem, eu ver logo o nome do amigo, e não o número - é que às vezes dá uma confusão... Só que aí, eu fui telefonar, e a ligação não completava (!). Aí tive de lutar com a memorização. Então os números eu sei de cor. Alguns. Aí meu amigo que foi pra Campinas e agora tem um número de lá, o número dele no meu celular tem o ddd e a operadora, né, pra eu poder ligar direto, então na sms aparece o nome dele inteiro e não o número, o que significa que eu jamais decorarei o número telefônico do rapaz.

Eu sei que quase ninguém acha isso importante, AFINAL, aí estão os apetrechos eletrônicos para nos ajudar (?) sempre que possível. Ninguém sabe mais telefone de ninguém, não sabemos também dos nossos compromissos de cór, especialmente dos que fogem do padrão. Mas... e quando a gente começar a esquecer de organizar nossos aifones, tabletes, sistema post-it no desktop? Nossos alzheimers serão piores. Procede?

Eu hoje precisei decorar uma sequência de três algarismos, enquanto andava do Sepa ao Cchla, o que deve dar, sei lá, duzentos metros? Seissentos metros? Eu não sei calcular nada em metros. Mas tipo ir do Cefet ao Midway (?). Eu cheguei lá, e disse a sequência toda trocada. Voltei dizendo a minha colega que ela tinha me dito a sequência diferente (não era 192, era 291!; então, bia, 291, foi o que eu te disse; não, menina, tá doida?). Bem que disseram que se eu tropeçasse no caminho, não ia lembrar do número que eu saí repetindo em voz alta, sem parar. Eu nem tropecei, e esqueci. Confundi, né. Se tivesse tropeçado tinha de ter voltado e perguntar novamente. Para então perguntar, na sala dos estagiários, por que eu estava ali de novo e o que eu tinha ido fazer... É verdade, não exagéro!

E aí de celular e agenda e post-its coloridos e dorso da mão rabiscado, eu vou. Vou caminhando para a demência juvenil, porque na senil nem celulares nem agendas nem minha letra mais eu vou conseguir fazer. Pelo jeito.

Um comentário:

Anônimo disse...

Só quero dizer que ao invés de umas certas aulas da terça-feira à tarde, vou ler seu Blog. Nada melhor pra encerrar um ciclo, ou fechar a gestalt do que refletir sobre meu cotidiano, né?

Beijinho!
Isso aqui tá cada dia melhor!