segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Feliz dia, psicólogo.

A minha amiga passou em um concurso para estagiário de Psicologia em um dos mais importantes órgãos públicos do estado, e o "parabéns" que a professora-psi deu à ela foi: "que bom que você passou nesse concurso, agora você vai poder tomar um banho de loja para poder trabalhar lá!". Ah, claro, porque nada mais essencial nessa vida psi, nessa vida de meu Deus, nessa vida de daseins e ser-aí do que uma roupa nova! Já pensou, tu, colega-psi, indo trabalhar sem ter tomado um banho de loja? Um banho de roupa nova? Que tipo de psicólogo é você, que não toma banho de loja com frequência pré-determinada (a cada seis meses, ou três, ou, de preferência, mensalmente)? O que você está pensando em fazer, entitular-se psicólogo? Estagiário de psicologia? Tá louco?! Seu trabalho não vai valer de nada, colega, se você não tiver tomado um banho de loja. E a estagiária limpinha (!) vai levar o crédito, tô te avisando.

Uma aproximação aproximada, na redundância, porque aqui é senso comum, eu sou senso comum, que nem um monte de psicólogo que se diz psicólogo, mas que é senso comum, tipo esses de banho de loja tomado, cheios de sensos comuns, mas, voltando, uma aproximação aproximada me diz que cinquenta por cento dos meus coleguinhas de sala não serão psicólogos. Ou, hoje, não querem ser. Tipo, não pretendem, prefeririam ter feito ou ainda fazer outra coisa. Meio que se arrependem. Não se arrependem, mas vão ver o que é que dá esse diploma aí. Um banho de loja pode ser que resolva tudo.

Mas dos cem por cento que entrou, digamos que, uns dez por cento, não estavam super a fim da psicologia no começo. Ao longo do curso, a proporção aumenta. Por que será, hein? Acho que não houve bolsa suficiente pra dar banho de loja em todo mundo... Aí vem o desânimo e ficamos sem saber o que fazer com o diplominha. Mas, vá lá, se pra ser bom profissional tem que manejar muito bem o senso comum, ou seja, ser mais ator que psicólogo, floreador de discursos e laudos, tem que fazer relatórios com verbos mal conjugados, e ainda comprar roupa nova toda semana... Aí ficou difícil realmente. A gente terminou deixando o sonho (pufff!) pra trás.

Mas o curso tem suas partes boas, vá lá. Todo semestre, a democracia falaciosa nos comunica: vamos programar nossa disciplina? A gente diz o que quer, mas, em se tratando de estudantes de chinelos havaianas, quem se importa?, antes fosse Loubotin, e aí a democracia volta e comunica: decidi. Vai ser como eu sempre quis. Beijos.

E, depois de nove períodos, cadê vocês para vestirem a camisa? O Enade vem aí! Curtam o momento! Estudem, simulem (literalmente), vivam esse momento! Façam de conta que são bons estudantes, na verdade, os estudantes que nós julgamos de bons, e que são felizes nesse lugar. No nosso lugar. Não, no nosso lugar não! Não quero concorrência! Longe de mim! Vou quebrar os saltos de vocês, denunciar o jacaré ilegítimo da sua camisa, caso isso ameace acontecer!

E até o ano que vem, fofos. Com vocês formados, espero-os para um jantar de gala (literalmente?) na minha casa. Na lista de presentes para  psicólogos: Roupa Nova. Boas compras!, digo, boa sorte!

2 comentários:

Júlio Cézar disse...

"cinquenta por cento dos meus coleguinhas de sala não serão psicólogos"

Tipo tu, que será jornalista.

Fernandinha disse...

Me inspirou, deu vontade de escrever também, colocar pra fora, em forma de palavras, tantos sentimentos ruins que me amargam.