sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Meio com asco de dizer.

Olha, eu preciso, preciso, preciso dar um jeito nesses negócios. Nessas "coisas" que eu tenho, que me tiram o sono e o tempo, me fazem perder tanto tempo tantas vezes.

Não estou falando em ninfomania.

Minhas compulsões e obsessões vêm chegando ao grau máximo. Eu arrumo minha estante quase todos os dias, várias vezes, mudo os livros de lugar, crio novos critérios de organização, e nunca fica bem. Já coloquei o material da faculdade mais perto do birô. Já separei só as pastas. Literatura brasileira separada da estrangeira. Aí as pastas longe do material da faculdade não fica bem. Eu junto tudo e vira bagunça. Tá uma bagunça! Sempre tá uma bagunça.

Minha mesa tem que ficar organizada, mas tem que ter um ar de desorganização, para sempre parecer que eu estive ali fazendo coisas importantes. Como quem trabalha muito, entende? Que mantém uma organização, mas é difícil, porque a pessoa trabalha e estuda demais, e termina deixando alguns amontoados. Só que não pode ser muito, senão eu não estudo nem trabalho.

É que eu não estudo nem trabalho em lugar bagunçado. Como é que eu posso me concentrar se existem coisas para organizar? Roupas para colocar por ordem da cor, do uso, do material, livros de categorias diferentes, bem aí na parte da estante, como eu falei, papéis velhos que eu não sei se vou usar novamente algum dia... Preciso de um lugar para eles também. Aí se a cama não estiver bem coberta, e se formar aqueles volumes na colcha, que não está bem esticada, mesmo a cama 180º para mim, como eu posso me concentrar?

Aí não dá para ficar a porta do banheiro aberta. Eu sei que ventila mais, que é ótimo deixar a minha porta aberta e a do banheiro também, principalmente se não houver ninguém em casa. Mas quando não houver ninguém em casa, é porta do banheiro fechada, se não eu não existo! E minha vida torna-se um olhar incessante para o boxe do banheiro - como quem espera algo de extraordinário a vir por ali.

Lavar as mãos, lavar as mãos, lavar as mãos, que delícia lavar as mãos! Eu fui conversar com a mãe de um novo paciente. "Mas então, ele tem alguma mania, algum tique nervoso, algo que ele faça com muita frequencia, que, assim, chame a atenção?". "Se ele pudesse tava lavando as mãos o tempo todo!". Eu também! Adorei. A gente vai se dar super bem. Toda semana, nos cinquenta minutos da sessão, ainda bem que tem um banheiro dentro da sala de ludoterapia, a gente vai se divertir naquela pia. Ah, vai.

Eu não consigo parar de estalar os dedos, desculpe.  É muito mais forte do que eu, e tem praticamente a mesma idade que a minha esse vício. Os dedos das mãos, e dos pés. O máximo possível. A cada cinco, dez minutos. E enquanto durmo. Vocês, colegas excepcionais que dividem quarto comigo (novamente, não me refiro à ninfomania alguma), vão continuar se assustando. Mas essa é minha única compulsão na madrugada. Não mordo nem grito nem mato.

Não dá pra parar de cutucar as espinhas. Nem de arrancar a ferida da craquinha do brinco que inflamou na parte da trás da orelha. Não consigo. E pare de segurar minhas mãos! Sou feliz assim.

Também não dá pra deixar de usar cotonete diariamente, com uma vontade i-n-e-x-p-l-i-c-á-v-e-l de fazê-lo três vezes ao dia. Pelo menos.

Então eu já vou. Tenho que organizar metade do quarto já organizado antes de dormir. Separar logo o material que vou usar amanhã. Só que, se eu fizer isso, vai deixar mais bagunçado e eu vou ter muita insônia. Então vou deixar pra amanhã. Vou ver se a porta do banheiro está fechada, e lavar logo as mãos, lavar bem as mãos, pra poder adormecer arrancando as dermatites e depois estalar os dedos em um sono feliz...

Um comentário:

Patrícia. disse...

Gosto muito da sua escrita! Que tal publicar um livro?