sábado, 22 de setembro de 2012

Compras em Natal

Eu sou aquele tipo de gente que gosta de compras, roupas e sapatos, e coisas novas, não tudo, não sempre, mas às vezes, e que até folheia blogs de moda, mas que detesta ir às vias de fato: as compras. Compras têm algumas regras desanimadoras universais, as responsáveis por te fazer odiar esse programa de sábados vespertinos. Uma delas é que, quando você realmente precisar de algo, você nunca vai encontrar. Em segundo, sua consequência: quando você não precisava disso, você sempre encontrava disso. E também: na loja, veste bem, em casa, te faz bruaca e gorda. Aliás, há um paradoxo importante a se considerar: se estás magra, e vai às compras, sentindo-se em sex and the city ou similares, semanas depois, quilos depois, você vai se arrepender e amargar a roupa. Se estás gorda, e vai às compras, para evitar essa chateação futura, é verdade que você não vai conseguir nem querer comprar nada, pois, óbvio, você está gorda.

Daí que de tanto odiar compras e shopings e, por vezes, vendedoras de lojas, eu evitei essas malditas.

Dias atrás, precisei ir procurar por vestidos de festa (casamento, formatura, etcétera). Não existem. Não sei onde se escondem, ou onde escondem-nos. Mas eles só existem nos corpos das pessoas nas festas, e nos ateliês fantasmagóricos de costureiras de família. Nas lojas, não têm. Mas, já que eu já estava lá, né, e, loja vai loja vem, vou olhar umas coisinhas e quem sabe... Não. Três centímetros de algodão, moça, quanto está? Cento e oitenta e nove reais. E esses dois centímetros e meio? Cento e setenta e nove. E noventa.

Certo. Mas, por quê? Tentei imaginar se era o nível (primeiro, segundo, ou terceiro piso do shopping) da loja, se era uma consequência básica da economia, inflação, queimadas em plantações de algodão por todo o país... sei lá. Eu que não entendo nada de economia, pensando em economia. Rá. É que só me perguntava por quê, por quê?, qualquer tiquinho de roupa estava arrancando todo o dinheiro da minha carteira, só de olhá-lo.

Outro inconveniente das compras são os vendedores. Que me desculpem os vendedores gentes boa, ou os de bom senso, mas, te digo, primeiro, é difícil de aturar quando eles não te atendem. Por que, ué, essa daí tem cara de estudante, não sei o que ela faz aqui. Ou então aquele vendedor que você logo saca o ar pé no saco e avisa: estou só olhando. Ponto final peremptório. Mas ele te segue por toda a loja, se você jogar o cabelo para trás, virar repentinamente, dar meio passo para trás, para checar a blusa da arara anterior, derruba o danado no chão. E ele não pára: "essa é da nova coleção". "Essas chegou ontem!". "Essa arara tá com quarenta por cento de desconto!". Você fica tão sufocado, que sente-se mal, hiperventila, sua frio. E sai da loja antes que ela tire sua roupa e coloque a da loja em você, ou arranque seus cartões de crédito de uma vez.

Eis que me surge hoje novo capítulo da mesma história: agora, fazendo compras masculinas em Natal. É que não tem. Que os meus três leitores não me entendam mal, aliás, acho mesmo que não irão, pois cinco a cada três deles, partilham opiniões semelhantes quanto a isso. Em todas as lojas, em todos os níveis (pisos) dessa cidade (shopping Midway), todas as camisas tinham ou gola Vê ou alguém tinha rasgado a gola delas. Gola V, gola rasgada, gola V, gola rasgada... Acho que cada um tem direito a vestir o que quiser, mas a maior parte dos meus amigos não-gays (são poucos), e o meu namorado não vestiriam golas rasgadas, deixando as omoplatas desnutridas aparentes, menos ainda a gola V, salientando os pêlos de cafajeste que cultivam com seus orgulhos heterossexuais. (Se bem que prefiro o orgulho homossexual de retirá-los.)

E eis que voltei para casa sem roupa (só com a do corpo), e esclarecida por que na minha cidade todas as pessoas estão iguais o tempo inteiro (não sei quem começou o ciclo vicioso: se elas que causaram isso nas lojas, ou se as lojas que vestiram todas elas, e ficou por isso mesmo). E ficou por isso mesmo.

Nenhum comentário: