quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Glamour feminino não é lá minha vocação

Acontece que hoje eu tenho um casamento para ir. Há quinze dias tive outro; no mês que vem, mais um. E, se para alguns casamento significa comida boa e cara, música ruim e alta, pró seco, jantar em pratos de sobremesa, e doces tão finos e bem elaborados que te faz ficar na dúvida se o que se come é o que tá dentro da embalagem ou se o que parece a embalagem é o que se come, casamento para mim é sinônimo de estresse. Não porque me faça pensar sobre os ideais sociais da vida a dois, construída em algum momento da sua juventude, compartilhado com pessoas que não se importam com a sua felicidade, regado a milhares de reais sem propósito. O simples ato de ter de me arrumar e de me esforçar, me desdobrar, para tentar estar à altura de uma festa assim, isso me desgasta.

Isso parece mais fútil do que a própria futilidade em ter o vestido e o cabelo e os sapatos como foco de vida de uma mulher que se aproxima de um casamento (alheio). Mas se tornou um problema para mim. Eu não gosto de saltos altos - em mim. Acho lindo nos outros e tento, a cada dezoito meses, subir em algum. Mas encravo as unhas e enrugo a planta dos meus pés, e aí só depois de dezoito meses para tentar novamente. Além desse problema, sapatos em geral (em gerais? em geral, né?) não ficam bem nos meus pés. Todos, quando digo todos é todos, machucam meus pés. E os saltos altos, obviamente, assassinam. E aí lá vou eu, semanas sequentes, procurando um sapato que me caiba e que não me dobre de tamanho, porque eu não me equilibro em sapatos que dobram o meu tamanho, para então usá-lo (se tiver ncontrado) noite adentro (tomara que a lembrancinha de casamento sejam havaianas, sandálias japonesas, qualquer coisa), me maltratando. E tem que ter a palmilha.

Vestido eu nunca tenho, eu nunca encontro. Eu peço emprestado a todas as minhas amigas (três), porque eu acho todos feios nas lojas. E não tenho paciência nem disposição financeira de investir em um prêt-a-porter. Mandar fazer, eu digo. No dia, estou usando o mesmo vestido das últimas oito festas de formatura e casamento e quinze anos que fui. Com o mesmo sapato e palmilhas.

No dia, tem de ir ao salão. Tem de esperar centenas de mulheres no salão fazendo suas unhas. Aguentar duas cabeleireiras esticando seu cabelo ruim por horas (me parece horas).

Para então chegar a parte mais difícil. Mais temerosa. A maquiagem!

Eu nunca aprendi a me maquiar. Eu nunca consegui, eu nunca fiz nada que preste pra parecer saudável e feminina usando pós de arroz e sombras coloridas. Eu não tenho a menor capacidade. Sinto que minha mão é grande, pesada, masculina demais pra tudo isso. E nunca teve tutorial de maquiagem ou amiga prendada que me desse jeito. Alguém teria de me maquiar para cada festa. Mas, pior, para isso eu também não tenho paciência. Porque você tem de ficar horas (me parece horas) imóvel e de olhos fechados. E abrindo a boca em um ângulo específico, sem tremer. E abrir os olhos quando a pessoa mandar, e não lacrimejar. E não espirrar, porque, não sei os outros, mas mexer nos meus olhos demais me dá vontade de espirrar. E, pior, eu tenho de passar a noite inteira sem poder coçar os olhos, arrancar as espinhas que me saltam, meter o dedo na boca, no nariz, esfregar as costas da mão no meu rosto. Não posso!, porque senão vou ficar pior do que sou sem maquiagem. (Então seria melhor eu já ir sem maquiagem, não?)

E aí, se não sei me maquiar, se não tenho paciência de que me maquiem (maqueiem?, maquiem, não?), e sou fraca o suficiente para sucumbir aos desejos e ordens sociais de parecer feminina e bem vestida em festas sofisticadas, eu respiro fundo ao longo do dia, conto até o infinito, sento em frente a um espelho com grau, acendo luzes fortes, coloco todas as minhas maquiagens (que devem ser três coisas) e as da minha mãe (que são quinhentas coisas) na mesa, e vai. Passam-se duas horas, e ou fico parecendo uma macaca, ou parecendo que não fiz nada, para sair de casa igual como sou.

Mentira, nada a ver com o que sou. Porque vou estar cheia de pós (não dos que se cheira), pernas de pau, vestidos apertados tomaras que caias, que passo a noite agarrando para não cair, realmente, e esse cabelo falso que o secador me deu. Com estresse, com palmilhas, e vaidosa como nunca fui, lá vou eu.

O meu casamento vai ser uma festa na laje.


Nenhum comentário: