quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Quando eu senti ciúme

E eu me assustei, não acreditei, senti raiva, quis apagar o texto que não era meu. Me inquietei, bati os dedos na mesa, sapateei meus pés calçados em sapatos barulhentos, barulho, fiz barulho. Embrulhei o estômago, fiz para sempre um nó na garganta, ardi os olhos. Não chorei, não menti. Disfarcei. Evitei olhar, evitei o olhar. Sorri amareladamente. E, então, senti raiva por sentir raiva, chorei por não ter chorado, não disfarcei e emudeci. Desliguei os contatos, apaguei as letras do meu texto, as únicas que podia apagar, ou transformei-o em rascunho de baixo calão - esses que não saem da gaveta (da cabeça). Não apaguei fogo nenhum, deixei incendiar, só não incendiar-me. E, como quem tem experiência, sumi. Deixei por lá só o meu ciúme, que arde. Que vergonha, que arde.

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