sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Que seja, e sou

Eu sou de livros interminados, de contos impublicáveis, de histórias com melodia chorosa, melodia intensa e triste. Sou de palavras que não são doces, de gestos que me denunciam, de olhares de esguelha, às vezes, até, falsos abraços, mais ainda, falsos sorrisos. Sou de temer e fingir, quando dá, quando devo. Sou de um eterno desamor frente ao espelho, frente a retina cerrada, ou seja, olhando para dentro de mim mesma. Desamo. Sou de tiques nervosos e maltratos à pele e denúncias desse desamor sob a forma de tocs, tenho tocs, e mais tocs de não me toques. Não me toques, que doo, e fere, e apaga-se em dor. Sou de palavras não ditas, de comportamentos velados, de penumbra, de pouca cor. Porque sou de fraquezas desmensuradas, intempestivas, e, há quem diga, inventadas.

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