domingo, 16 de setembro de 2012

Rótulos para todos

Eu tenho dificuldades com rótulos. Até aprendê-los, evidentemente. Quando aprendo, eu gosto de ficar rotulando todo mundo - depois de conhecê-las bem. Assim, just for fun.

Tipo, pessoas que dizem sempre frases em inglês, just for fun, tipo eu, dizendo aí em cima, just for fun, vixe, nem tenho rótulo para elas, mas são do tipo que podem escorregar para um tipo desprezível. Tem gente que me chama de pseudocult, por exemplo, mas eu preciso me deter isso mais à frente, em outro texto. Tem gente que era patricinha e vira roqueira, e "enlouquece" no show do foo figters! E por aí vai.

Mas os rótulos estão avançando e se modernizando e se complexizando (?) em uma velocidade que eu não acompanho. Tipo as tecnologias, né, porque até hoje eu nunca tive um ipode ou ifone nem nada do steve jobs. Só uma biografia dele, que dei de presente. E eu não sei mexer em nada disso, também. Sempre que colocam um aparelho tecnológico na minha mão, em cinco segundos eu grito "chega!, ajeita aqui!, quebrei.".

Pois parece que meus estudos etonográficos feitos à paisana estão sendo muito poucos. Ou estou discutindo muito pouco sobre eles. As rotulações modernas carecem de explicação, no meu caso, e eu começo a receber a alcunha de velha, perguntando o que são essas "gírias" novas, da galera!

Eu estava no pub, aí me aproximei dos meus amigos, eles já conversando sobre um assunto específico, e uma delas, explicando para o outro: pronto, esse óculos de Bia é hipster. Eu: muitas interrogações. O que é hipster, como assim hipster? Que porra é essa, de meu óculos ser hipster, ninguém na loja me falou nada disso! E disseram que era tipo ser nerd e estiloso. E eu: mas então não é nerd. Porque meu rótulo, digo, conceito, digo rótulo mesmo, de nerd, não engloba ser estiloso. Ou sim?

Meu pai não aceita que "estiloso" seja uma palavra parte do meu vocabulário. Foi uma palavra que empreguei quando comprei esse mesmo óculos 'hipster'. Será que ele estava me chamando de antiquada? Favorecendo o uso do 'hipster' no lugar? Nem perguntei.

Eu fui, então, comprar uma camiseta de presente, e pedi opinião. "Não, Bia, essa é muito indie". Hã? Por algum motivo, eu associo indie com hippies, e não hipster!, mas meu amigo disse ser: um fenômeno meio homossexual que existe entre os jovens de hoje em dia.

Meio homossexual? Quem é bicha, é bicha. Por que você não diz que a roupa era meio bicha (e não era)? De novo, só posso estar muito antiquada.

Eu agora travo uma conversa com Laurinha, que tenta me explicar os conceitos complexos para tantos fenômenos em nossa sociedade pós-pós-moderna. Eu só fiz um comentário sobre o filme que vi hoje, e ela, além de concordar comigo que o filme é mesmo maravilhoso, fez a seguinte colocação sobre o longametragem: super hipster cult hoje em dia. (Era uma colocação descontraída, lúdica, de tiração de onda, porque ela não fala assim, realmentemente).

Hm. Espera aí! Me explica tudo isso! O que está acontecendo? O que são todas essas palavras? E ela, que, via estudos empíricos, observações antropológicas, e reflexões próprias, me deu algumas pistas. É, só pistas, porque ainda não ficou claro para mim. Pareceu tudo tipo um fenômeno meio homossexual meio qualquer outra coisa que tentam achar rótulos cheios de especificidades.

- Peraí, me diz, o que é hipster? O que é hipster, o que é indie? 
- Os hipsters são mais mainstream do que os indies.
- (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) O que é mainstream?
- São basicamente iguais aos indies, só muda o nome. E mainstream é o que não é underground. 

Pra mim, ser hipster ou indie ou representar um fenômeno meio homossexual, estava tudo nas obscurices do underground. Preconceito meu, desculpem. E repetiu o que já haviam me dito:

- Seu óculos é bem hipster. É a modinha dos hipster cult. 

Evidente que, enquanto me dava todas essas informações inúteis (sem as quais eu não conseguiria mais dormir, de verdade!), ela ria. Mas, ela não havia me dito ainda o que era ser hipster. Reforcei minha indagação.

- (...) É a modinha dos hipster cult, que nem a máquina fotográfica pendurada no pescoço, tirando fotos numa Lomo, que a gente tava tirando onda ontem. 

(Gente, eu não sei o que é uma Lomo.)

- É esse povo mais alternativo, que gosta de música mais independente, mas que são, tipo, riquinhos subversivos; que andam com seus ipods, máquinas de última geração... 

Nunca, na história da minha história, estive diante de uma categoria ou subcategoria tão complexa e específica. Sou do tempo das patricinhas e mauricinhos, depois consegui acompanhar os "raqueiros", e hoje, o mais moderna que consigo ser me permite dizer que algo é "estiloso". Realmente, devo ser uma vergonha da minha geração.

Falei para ela que há gentes que me chamam de pseudocult. E ela:

- Melhor do que ser pseudointelectual. 
- Ué, não é a mesma coisa? [Novo nó na cabeça.] [Na verdade, eu esbravejei: OCHE, É DIFERENTE???, afinal, já estava bem confusa, e ainda sem muitas respostas, apesar da grande quantidade de exemplos.]
- Mais ou menos. Cult é mais amplo, né. (...) É, ser chamado de pseudocult é pior mesmo!
- Defina pseudocult! [Lágrimas]
- Quem finge ser cult. Rs. 

Laurinha é do tipo que ri "rs".

- Os pseudocult assistem filmes cult, escutam músicas independentes, dizem apoiar uma causa, mesmo que não a sigam... Os pseudointelectuais não, só precisam fingir que lêem muito e ter um ar de superioridade - apesar de nunca entrarem em uma discussão porque não têm argumentos. 

Confirmei, como dito, se eram resultados via empirismo, observação antropológica, reflexões dela com ela mesma.

- Essa é a minha retórica, apoiada na minha axiologia.

Foi tipo aquela aula de disciplinas introdutórias acadêmicas, que você formula concepções e conclusões enquanto o professor explica, esclarece dúvidas, apresenta suas idéias, e sai dali com a certeza: não entendi foi nada.

5 comentários:

Júlio Cézar disse...

onde é que você conversa com esse povo? converse comigo também

Biazetz disse...

e cadê você?!

Leishmaniose disse...

Olá,

HAUHAUAUAHUAHUAHAUHAUAHUAHHUHAA! E olha que o movimento hipster é "antiguinho", já tendo seus 10 anos de existência - se desconsiderarmos a origem em si, que foi em 1940. :P

http://en.wikipedia.org/wiki/Hipster_%28contemporary_subculture%29

Eu acho que o lance maior é que está se tendo contato com termos de outras culturas, de outros grupos, em curtíssimo tempo. Ah, apenas alínea, Indie é abreviação de Independente, então algo indie é algo que não segue as grandes tendências (sendo mainstream a grande tendência). Vide indústria da música, indies são os grupos que não possuem grandes gravadoras e tocam músicas que nãos e encaixam no exigido por elas - Lobão que financia seu próprio cd e vende em banca é indie.

No fim, tudo se resume a uma palavra (ou duas): pós-modernidade. :)

Bonanças.

Atenciosamente,
Leishmaniose

Deyze Ferreira disse...

Eu tô por fora disso tudo aê! Vivo em outro mundo? Eu me encaixo em que "categoria"?

Biazetz disse...

sei não, Dê. Vamos começar pensando junto com aquela colega... você tem cognição?!