segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um adeus desajeitado

Deixei uma carta pra você com o André. Logo ele vai te entregar. Combinei que seria assim que eu decolasse, mas, realmente, preferiria que fosse um pouco antes. E que eu corresse o risco de você chegar a tempo. Para me dar um abraço sem palavras.

Eu escrevi várias cartas, eu reescrevi e editei esse texto, que, em alguns momentos, não parecia que era meu. Porque eu não estava sendo eu, eu não pude ser eu. Escrevi um, de fato, na bravura da autenticidade, com as palavras raivosas que são o que eu sinto agora. Ele ficou confuso. Como eu sou agora. Ou não irias entender nada, ou iria ficar claro demais. E seria constrangedor. Eu não quero que seja mais constrangedor do que já é, só que só para mim, e mais confuso para você do que já está - só que também está bastante confuso para mim.

Eu falo e peço o óbvio: que me deixe em paz, que me dê alguma paz. Que não me importune com palavras que dizem mais do que elas mesmas, para então, e só então, depois de uma expectativa e ilusão tão bem alimentadas, eu ver que não era nada daquilo. E me sentir patética. Foi tão ruim, e ainda é. Espero que na carta fique claro, eu tentei deixar claro, e que as entrelinhas te gritem meu desespero. Espero que me deixe em paz. Ou queria mesmo que não.

Clara.


— O que me arrebenta é que ela não disse "Eu não te amo mais". Saiu me amando. Saber que o outro se separou e ainda te ama é uma esperança insuportável. Uma tortura. Acho que ela se dará conta de sua mancada a qualquer hora. Mas "acho" dentro do total ceticismo, não a vejo vindo ao encontro, não teve sequer coragem de conversar. (Carpinejar)

Um comentário:

Bruna Barbosa disse...

Que coisa mais linda, Bia! Esse trecho de Carpinejar me fez brilhar os olhos assim que bati nele... Posso guardar pra mim?