quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Beatrizes

Então eu ponho para tocar nossa música, nossa música preferida. E foi sem intenção, sem esse fim específico, simplesmente calhou de eu querer ouvi-la. Então eu tomo banho enquanto ouço e vivo noutro tempo, noutra era, quiçá. Aquilo era outra era. Então eu danço sem movimentar-me, danço em devaneios, em pensamentos encontrados, muito bem encontrados. Eu volto aos seus braços e te ponho do meu lado, bem do meu lado, bem se parecendo comigo, que nem antes.

A música me pergunta onde o fio da meada desprendeu-se, onde a melodia entrou em um ouvido diferente, e fez desse ouvido diferente uma história outra, um caminho novo. Um caminho novo e longe. Eu evito me defrontar no espelho para não perceber a diferença, pergunto se as alças tecnológicas e as demais gambiarras que foram feitas estão realmente dando conta, e, é mais claro que a enorme distância, jamais darão.

A música me traz a sua presença e os seus ideais. Me traz o espelho que eu realmente desejo, não esse de agora. Ah, esse agora. E então eu me ponho a pensar, à medida em que há música, se é possível reinventar e viver um novo melhor. Eu espero que sim. Pois pareceu distante demais, até impossível, o estado real e antigo de nossos pensamentos, sorrisos e respiração em ritmos idênticos, e nossos.

Vou em busca.

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