quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sou uma farsa

Sim, acho mesmo que eu poderia mudar de casa. Porque o caminho de volta, sempre o mesmo caminho de volta, e, quando não é o mesmo, sei por quê não é, deliberadamente escolhi fazer diferente pelo motivo mesmo, vai me trazer as mesmas imagens. Quase que sempre. O horário da noite, ou o ar de domingo à tarde. Domingo à tarde. E a casa, a minha casa. 

Então, se o retorno e a permanência em mesmo lugar deixam todas as outras coisas, simbolicamente, em mesmo lugar, eu é que preciso sair dele. Não? Nada mudou, essencialmente. O que aconteceu foi que eu descobri indumentárias diferentes, um ou outro ar diferente, porque o ar eu também pensei em mudar, eu também tive de mudar, mas só foi possível muito pouco, e nesses ares e indumentárias e máscaras, foi como eu consegui continuar. Foi como eu adormeci e acordei dias e dias, e mais, é como hoje eu planejo meu futuro. Tive de escolher novas roupas, tive de usá-las, de novo, simbolicamente, preciso deixar isso claro?, e assim ir. Exato, foi mais uma nova pele, novas peles, outras. E assim sinto-me mentirosa, indecente, também fútil. Porque adquiri superfícies, vivo de construí-las, mantê-las, cuidá-las para que o desastre não se dê - eu volte exatamente ao de antes, em carne e osso. 

Estou sendo uma farsa para quem senão para mim mesma. Cabe interrogação (?).

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