quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Já se passaram cinco anos (?).

Faz cinco anos que estou em 2012. Faz tempo demais que a gente tá em 2012. E todo mundo ainda acha que o tempo passa rápido? Tá passando rápido? E todo mundo ainda acha que tá em 2012? Eu já cheguei em 2017, tenho certeza, ora essa.

Faz tempo demais que pulei quatorze (ou foram vinte e uma, talvez quarenta e nove) ondas na praia de Cotovelo. Tomando banho de Cidra velha que jogavam na gente. Faz tempo. Faz mais tempo ainda de eu ter mandado as mensagens para minhas colegas de curso, nessa mesma madrugada: "a gente se forma esse ano". Até porque nem era, seria só no próximo ano (2018). Quantos séculos faz isso?

Aquele meu primeiro paciente de 2012 deve ter virado adolescente. Aposto que namora (há cinco anos) aquela menina-mais-bonita-da-escola, que ele dizia ser apaixonado. Era lindo quando ele falava isso, na sala. Sinto a nostalgia aqui, agora, lembrando dele criança, pensando nele lembrando dele criança, apaixonado por outra criança. Hoje eles já são adolescentes, aposto que sim.

O livro que eu lia no começo de 2012 eu não sei mais qual era. Não tem como saber, né, afinal, cinco anos atrás, como eu poderia lembrar? Mas acho que eu estava vivendo dentro de um Guerra dos Tronos, ao longo do veraneio.

Esse veraneio, então, nossa, faz tempo demais. É tanto que o biquíne desse verão, óbvio, não cabe mais em mim. Não cobre mais o que deve cobrir, e eu tive de me desfazer dele. Cinco anos é tempo suficiente para o biquíne não caber mais, a barriguinha fazer vergonha, e, também, de se desfazer de mais roupas.

Eu devo ter feito umas seis faxinas no meu guarda-roupa desde então. É roupa demais para a caridade. Então é óbvio que não estamos ainda no mesmo ano...

De lá pra cá, atendi tantos pacientes, tive tantas reuniões, tantas supervisões, duas, três, por semana, me desfiz de tantos laudos, e contemplei tantos futuros diferentes... Meu futuro mudou várias vezes do início de 2012 pra cá. Umas quatro ou cinco. Mais. Mais! Eu fui de neuropsicóloga para psicóloga clínica para livreira para editora de livros para escritora para professora de literatura para neuropsicóloga novamente para desistir de ser psicóloga e não saber mais o que eu quero fazer. Tudo isso em um ano? Mentira.

Desde o início de 2012, menina, luto para escrever um artigo que seja referente ao meu estágio. Acho que fiz três páginas, nesses cinco anos. Nada além. Foram cinco anos muito ocupados, não sei bem do quê, porque eles passaram logo, e foram difíceis, me deram uma amnésiazinha, que também me deixa confusa na minha orientação temporal... Agora acho que fazem dez, dez anos.

Eu fui inúmeras vezes ao mesmo bar. Comi inúmeras vezes os mesmos pratos do mesmo bar, e olhe que eu variava, e vi inúmeras vezes as mesmas pessoas nesse mesmo bar, deu para saborear um estudo antropológico longitudinal nesse tempo.

Eu escrevi demais. Eu fiquei bêbada uma vez (para cinco anos, tá na média). Eu tive mais de um episódio depressivo. Eu perdi quilos. Eu engordei quilos. Eu escrevi dois projetos de mestrado. Eu perdi uma pessoa. Eu ganhei muitos amigos - muitos, bons, novos, grandes amigos. E além dos amigos eu encontrei parceiros. Eu fiz um aniversariozão de namoro (por que comemoramos só um ano?; são cinco!). Eu planejei cinco viagens. Eu vou fazer uma viagem. Tive um amigo que foi morar longe. Tenho mais amigo que deve ir pra longe. Eu fiquei anos sem ver algumas pessoas. Eu tive cabelo longo e curto. Não fiquei gripada. Tive dezenas de diarréias por ansiedade (em cino anos, você me conhece, jamais eu conseguiria mensurar uma coisa dessas), e outras dezenas por comer coisa suja. Não doei sangue, tirei o piercing, fiquei calva novamente, e mais de quarenta e uma vezes, gargalhei até chorar; outras vinte e seis, gargalhei até fazer um pouquinho de xixi. Não tomei banho de mar.

Lá se vão cinco anos.

Que porra é essa, ainda ser 2012?

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