sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mas, ela.

Eu vivo cheia de saudade. Eu venho de transbordá-la e queixar-me de ser tanta, e acostumar-me a ter tanta. Eu alimento saudades e notícias, velhas notícias, mentirosas notícias. Notícias que invento para o presente para alimentar essa saudade passada. Passado.

Eu penso sobre a saudade, e penso.

A saudade vale mais a pena do que o amor. O amor pode ser platônico. O amor pode ser sem correspondência. Nada mútuo, nada recíproco. E não perde seu valor. É amor, ainda: soma tristeza, soma mágoa, mas ainda se ama. Mas saudade não se soma a esses amores sozinhos. Não pode, não deixe.

Saudade só vale a pena se forem duas. Se encontrarem-se no meio do caminho para papear, para dizerem uma a outra que estão ali, existindo porque a outra existe. Saudade só vale a pena se for a dois.

Não sinta saudade do amor que não existe mais. Não sinta saudade do tempo que já foi, do tempo que não é mais seu. Porque há tempos que já foram que ainda são nossos. Mas há outros que não. Não dê saudade para quem se reinventou e, quando tropeçou no seu nome, esqueceu. Não lembrou. Saudade é lembrar-se demais. É pôr o passado no presente, sem nostalgia necessária, menos ainda mágoa. Saudade precisa vir sem mágoa.

Não desperdice a palavra sem tradução. Não faça pouco de sua exclusividade. Não faça dela sua exclusividade; divida-a quando for... real. E para ser real, os loucos disso sabem, é preciso que mais gente veja e sinta. É preciso que mais gente seja de saudades.

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