domingo, 2 de dezembro de 2012

Minha vida social aos 22

É assim. Você é pré-adolescente, e a vida é injusta demais. A infância ficou longe demais, e as possibilidades de adolescente mais ainda. Tinham de ter cuidado com isso. De não deixar a gente nesse limbo por tantos anos (são cerca de dois). A gente vive uma angústia pueril de ser adulto (!), e logo.

Me lembro do tamanho do alívio ao chegar aos quatorze e, agora sim, havia vários lugares, e filmes no cinema aos quais eu poderia ir, sem risco de ser barrada. E mais ainda aos dezesseis. Mais um ano de idade era mais um ano de independência, de finais de semana com noites em claro e dias apagados (apagada), com expectativas baladeiras, roqueiras, festeiras, planos de uma vida social agitada, e ligeiramente fútil, vê-se.

Com os dezoito, o carro, a faculdade, e o status desadolescentizador, você com o mundo a seus pés (mentira), a liberdade te abraçando (mentira), te chamando pra beber a partir da quarta (sim), a tendência absoluta e esperada é a vida de um jovem comum: que sai de casa. Que vai pra náite. Que sorri e bebe. Que aguenta o tranco.

Não sei se foi 2012 que me envelheceu doze anos (pois durou cinco e porque foi 2012), se foram os quatro anos pra trás de faculdade, se é a desesperança com o desastre que é a humanidade, mais ainda a que vejo por aí, na semana, e, em estado pior, no fim de semana, mas essa festança inteira só foi minha realidade até os dezenove (ah, meus dezenove anos...). E olhe lá.

Minha sexta-feira é um anseio e comemoração pelo lugar mais cativo que tenho hoje: minha cama. Minha sexta-feira é um desespero por descanso. Meus pedidos de aniversário e Natal e em orações são por noites de sono. E minhas trocas favoritas são: o bar pela noite de sono. Meu passeio preferido: que eu não saia de casa. Que me tragam o jantar, eu coma e durma. Sem televisão, porque desvirtua o descanso, e porque tv é passatempo de gente jovem. Meu passatempo é o sono, o livro, o sonho. Que sonho.

Eu falseio uma expectativa pela sexta-feira, pela noite, pela banda. Eu ouço música alta, danço como uma bicha, chamo os amigos bichas, agito o agito. Mas isso ainda às sete da noite. Às dez, entro no carro e adormeço. Às dez, dirigir, só se for pra voltar pra casa, ou dentro do sonho.

O descaso (ou o fim?) com a vida social aumenta se você estiver namorando. Piora se o namorado trabalhar no bar e você tiver a desculpa: "é que acho que acordo bem cedo pra buscá-lo, então vou dormir cedo e...".  É o mote. O descaso também pode aumentar quando você está solteiro(a) gostando de estar. De estar só com você, claro. Porque, nesse estágio da solteirice (de pessoas estranhas e não-jovens*), não estar acompanhado não significa ir para qualquer lugar que você queira; significa ir para lugar nenhum, significa não precisar esforçar-se em manter os olhos abertos e se extenuar num esforço para ficar bonita em uma sexta-feira à noite. Não cabe na minha saúde isso. Você, nesse estágio, escolhe entre sair ou não. E, sendo não-jovem*, não sai. Retira a obrigatoriedade do cinema, do açaí, do jantar com casais. E elimina a melhor parte: não precisar explicar que você não necessariamente não quer ver o outro. Você só não quer ver ninguém. (O que inclui o outro, e atesta sua assexualidade.)

Em termos de ser não-jovem*, e o asterisco é pra dizer que não-jovem não significa ser velho, pois um velho, em qualquer idade, gosta mais da vida social do que eu, uma não-jovem, esse sábado à noite com silêncio virou deleite, exclusividade. Virou amor, noivado (não posso casar com essa situação, que sabemos ser vulnerável à puladas de cerca), troca recíproca de olhares ao longo da semana. E, em breve, vamos encarar uma lua de mel: férias longas, em um aposento deserto, sem programação, com cama, silêncio, e edredons.

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