sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Santiago e a recepção antibrasileira

A gente chegou lá e a moça da imigração danou o carimbo na nossa cara. Não aguenta mais ver brasileiro passar por ali, coitada. A gente chegou naquele pessoal da agricultura que não deixa você entrar com pacote de feijão nem de arroz Tio João, e eles chamaram a gente de filhos da puta infelizes. Começaram a gritar "la cartera!, la cartera!", esbravejando que tinham explosivos na minha bolsa, com a polícia chegando de algemas abertas pra me levar embora. Pegou meu saco de lixo (la cartera), apontou o dedo e gritou na minha cara para abrir. Encontrou o sabonete antisséptico e agitou os braços: que porra é essa?! Respondi e autorizei que abrisse. Ele respondeu se eu achava que ele era algum idiota que não sabia que podia arreganhar minhas bolsa e minhas pernas, se quisesse. Afinal, era a profissão dele fazer isso humilhando os estrangeiros.

No hotel tiveram de falar devagar para a gente conseguir entender melhor, e ficaram putos. Respiraram fundo e contaram até dez. E lamentaram mais dois brasileiros analfabetos no país. "Caralho", pensaram.

E os analfabetos pensando que, falando devagar, eles também entenderiam o que a gente diria. Quando a gente fazia o pedido em português, o garçom franzia a testa e pensava alto (ou a gente ouvia os pensamentos dele): de novo não. E falava os palavrões - que acho que sempre começavam com um puta que pariu. E depois de revelada toda a preguiça em se esforçar para nos entender, desgostava mais ainda quando não entendíamos. Porque eles só vão conhecer o Brasil depois de fazerem seis semestres de português em escola de idiomas. Se não, não.

E eles têm uma mania engraçada por lá, que quando querem passar por nós, pisam nos pés e nas cabeças e empurram a gente com os ombros, falando que sai da frente, gorda brasileira, que tô passando. É o tal do "permiso".

Deu saudade do Brasil.

Mas foi bom. Valeu.

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