terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Eu que vivo de mentir

"Escritores são mentirosos." Erasmus Fry, em conversa pessoal, 06 de maio de 1986.

Retirei essa passagem (até o último ponto final, depois de 1986) do Sandman, o primeiro volume. Transcrevi em post it que milagrosamente permanece colado na minha estante há meses. Quase ano.

Transcrevi essa verdade sobre a mentira. Que eu que não sou escritora me vi me deliciando com ela. Eu, que vivo de mentir.

Eu só minto para mim.

Eu aprendi a mentir muito bem quando criei labirintos no lugar de entrelinhas. Quando coloquei palavras que não diziam nada para expressar quase tudo. E fazia e faço isso escondida, me mostrando ao mesmo tempo. Todo mundo sabe. Mas é segredo.

Eu encho minhas letras de mentiras para dizer (minhas) verdades. Eu minto para contar verdades para os outros, mas eu minto para os outros para contar verdades para mim. Eu acredito no que escrevo, sempre, e, eventualmente, um dos três leitores também. Eu acredito no que escrevo porque aprendi a escrever só sobre as mentiras que eu acreditasse. São minhas "fantasias reais", diria meu pai.

E as confusões e interpretações que se seguem pela tríade de leitores são consequência das minhas mentiras. Como a linha infinita é consequência da fofoca. E eu não me importo, porque minha mentira não fica frouxa por conta disso.

Escritores são mentirosos. São bons mentirosos: para si mesmos, de si mesmos. Parece que eu vou no caminho certo, bom.

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