terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Microconto esquecido em envelope

De tanto amor recebido, isso é o mínimo que posso fazer para tentar retribuir. Amo você.

Estava escrito assim. Estava escrito assim no papel recortado de folha de ofício, em envelope azul marinho. Pequenos. Papel e envelopes pequenos. Sentimento grande.

Sem assinaturas. Em letras garrafais que não denunciam nada. Só levantam uma suspeita um tanto óbvia, mas, ainda assim, dá margem à possibilidades outras. Outros.

De tanto amor recebido, isso é mínimo que posso fazer para tentar retribuir. 

À que altura era aquela, então? Em que mês e ano foi aquilo? Quanto havia sido dado? E o que acompanhava o cartão? Que podia ser flores, podia ser foto, podiam ser presentes outros. Outras.

Encontrei o cartão no fundo da caixa que vinha abarrotada de nada que prestasse. Ou de quase nada que prestasse. Encontrei o cartão perdido no fundo dessa caixa. Que serve de metáfora para minha memória (sim), e para meu coração?. Encontrei o cartão sem procurá-lo, procurei na lembrança pelo seu dono, pelo real remetente e destinatário, porque é possível que esse cartão não houvera sido meu. Por que não. Porque sim.

De tanto amor recebido, isso é o mínimo que posso fazer para tentar retribuir. Amo você. 

E a frase é simples e doce. Singela. Inocente. É verdadeira e intensa também. As palavras foram sutis sem ser efêmeras, e eu quero esse cartão para mim. Porque eu quero as palavras dele. E o cheiro de amor bom que saltou para fora. E a sinceridade da vida, no mais. Vem nele também.

Joguei fora o cartão. No envelope. Sem rasgá-los. Não sei se foram meus; o foram por um tempo. Será então de quem encontrá-lo.

Nenhum comentário: