quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Com toda a dor

Parece que as coisas vão pelo avesso e muito mal. Sempre parece que o bom se esvai e o mal impera de alguma forma. Bem ao contrário do que aprendemos, como falei esses dias. Porque parece que tá tudo ao contrário.

O Deus ou o cosmos ou universo ou o destino, a fatalidade, o que quer seja, resolvem abreviar as boas vidas em lugar e em troco do quê, a gente se pergunta. Parece que os melhores sorrisos vão embora mais cedo. Parece que a felicidade mais aberta e verdadeira nunca dura o suficiente. Porque em verdade, felicidade e boas pessoas nunca são suficientes. Nós sempre queremos eternizá-las.

Se com tantos sonhos ingênuos e crenças de criança a gente não muda o que faz o destino, o deus, os deuses, o cosmos, a vida, a gente muda menos ainda a morte. Fica de nos restar o que nos leva até ela: a própria vida.

Estão faltando mais sorrisos por aqui. Estão faltando as pessoas que gostavam tanto de abraçar, aquelas que gargalhavam indiscriminadamente, que faziam o bem com a naturalidade de quem vive. Está faltando mais felicidade, mais intensidade, mais gritos de festa. Estão faltando mais vidas.

Nos resta recuperá-las. Sem transgredir dimensões, temos de recuperar os perdidos. Nos resta voltar a balança para o lugar de antes, e não deixar as lacunas que agora há transformarem a nós mesmos também em buracos, em espaços vazios. Nos resta aprender com quem se foi e sorrir como eles, sorrir por eles, abraçar a vida como se fosse o que ela de fato o é: a coisa mais preciosa que a gente tem. Abraçar a vida do outro como sendo o que ela mais ainda o é: a outra coisa mais preciosa que a gente tem. E viver. Nos resta sentir toda a dor sem acobertarmo-nos com ela, sem passar a viver moribundos sob sua sombra. As pessoas que se foram nos estão dizendo que a vida, por mais que difícil, por mais que amedrontada pela morte insípida, tem de ser vivida. E, em homenagem a elas, devemos sorrir indiscriminadamente, devemos viver com a urgência.

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