quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Fim em si mesmo

Fins são sempre ruins. Fins são sempre feios, úmidos, ardilosos, fins são sempre fins. Fins não avisam, não enviam previsão, não acalentam, não sussurram suave.
Fins são ruins porque só existem fins para tempos bons. Tempos bons é que têm fins. Que vêm e fecham, encerram, baixam a porteira e avisam que hoje só amanhã. Que hoje só nunca mais. Ficou tudo pra ontem, o balanço vai ser para sempre, porque é fim.
Fim é o decreto da eternidade. Fim é quando é para sempre, é todo, é inteiro, é desespero e choro gritado.
Fim é sempre ruim.
E a rima não é proposital. É só a rima em si mesma. Fim.

Tempo ruim não tem fim. Tempo ruim tem pulo rápido de etapas. Intervalo, pausa para café, espreguiçada, recomeço. Respira e vai. Tempo ruim te maquia com um ânimo novo, uma caixa com auto-estima breve, ao final ele sempre faz isso, para que haja o novo começo, o novo tempo, não necessariamente o fim.

Tempo bons são perseguidos pelos fins. Essa ventania barulhenta, com essa lembrança silenciosa, sem predizer recomeço imediato. Mas predizendo tempo ruim. Fim de tempo bom prediz tempo ruim. Sem fim. Com novo recomeço, distante, não breve, enfim.

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