terça-feira, 26 de março de 2013

Olhos mudos

Sim, que eu olho para esses seus olhos verdes apertados e vejo um brilho bem opaco e cheio de sentidos. Sem palavra nenhuma. É um olhar que significa um tanto. Um desejo e um amor, uma leveza que sente-se pelo beijo, um pesar dos dias inteiros, da família próxima que é distante. Um olhar cheio de significados, mas sem palavra alguma.

Não saem palavras dos seus olhos. Como eu converso com você, olhando nos seus olhos? Porque conversamos sem nada dizer, olhando nos olhos um do outro. Assim fazem os casais breves e intensos. Da paixão. Os casais de longa data em muito pouco fazem isso. A gente se olha sem nada dizer e eu nada escuto dos seus verdes miúdos. Só vejo um brilho leve, uns olhos que sorriem mas não gargalham, nem abrem sorrisos largos, de dentes tortos. Só uns sorrisos breves e sinceros. Calmos.

Assim estamos enquanto nossos olhos conversam. Breves e sinceros. E sua sinceridade vem desse silêncio guardado. Não saem palavras do seu olhar enquanto o meu grita uns sopros de satisfação. Eram suspiros, agora são gritos e aplausos, você vê? Você vê.

Mas não me diz. Nada me diz. O que você vê, eu não sei. Nada você me diz.

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