quinta-feira, 21 de março de 2013

Voltei pro caderno.

Voltei pro caderno, agora. Eu tinha um exemplar, se é que assim pode ser chamado, encostado na cabeceira, cheio de folhas não pautadas, azul, em branco. Com passagens transcritas do Marçal e nada mais. Coloquei quase ao lado do travesseiro porque minha mãe normalmente me diz para eu escrever meus sonhos. Imediatamente, ao acordar. Que os sonhos têm suas mensagens e conselhos, suas previsões, até. Eu acredito, viu. Mas não conheço ser humano nenhum que em pleno 2013 acorde na calmaria de quinze minutos para a escrita. Porque escrever à mão, em 2013, qualquer lista de supermercados leva um certo tempo, né verdade?

Eu que vinha colecionando textos ruins, expondo os textos ruins, verificando no dia seguinte que eram textos bem ruins, fiquei com vergonha deles. Mas tinha ainda muito a dizer.

Só que em momentos assim, assim como, não vou explicar porque não sei, em que escrevo vários textos de uma só vez, dizendo coisas diferentes em cada um deles, é preciso expulsar palavras. Imediatamente, igual com a história dos sonhos.

Quando escrevo algo, esse algo foi escrito sozinho pelas palavras que ecoaram na minha cabeça. (Não tenho comportamentos esquizofrênicos, nunca tive.) O texto inteiro saiu de um relance, de uma olhadela pra imagem, de uma voz que trouxe lembrança. Principalmente eu que escrevo muito sobre lembrança. (Nota: é preciso mudar isso.) Então dou laço nas palavras e trago logo elas pra cá, quando dá, quando quero. Só que em momentos assim, assim como, não sei explicar, não consigo sempre trazê-las. Como, por quê, não sei dizer. Só sei que está assim.

E foi preciso imediatismo nos dedos e no punho, só em um agora, o direito, um silêncio e minha voz. Agora tenho precisado me concentrar pra dizer algo para mim, e isso é novidade. Mas as folhas em branco me assustam menos porque guardam todos os segredos. Até agora. Eu tenho guardado todos os segredos até agora.

Que o brinquedo não fique mais só. Mas as palavras saíram daqui para um longo passeio, prevejo.

Um comentário:

Clarisse disse...

É tão bom ler o que você escreve!