terça-feira, 9 de abril de 2013

O novo para sempre

O para sempre é o novo eu te amo de antes. De pouco antes e de ainda então. O banal e espontâneo do tipo trivial. Agora é o para sempre.

Para sempre, agora, é um eu te amo que quer ser mais real. Porque banalizaram demais o amor de nós todos. Banalizaram as declarações espontâneas não triviais. Virou para sempre. Para sempre não tem. Para sempre não existe, que nunca existiu o sempre, você num sabe. E vai ser sempre assim.

Não é para sempre se é para frente mais um pouco. Não é para sempre se é um futuro brilhante e bonito a dois, com mais dois pequeninos perfeitos que virão. Um auge. Para sempre não é um auge. Para sempre deveria ser um sincero aceitar de interrogações e páginas em branco. Sabendo que não existe nada mais desesperador que aceitar páginas em branco para um sempre.

Para sempre a dois não é o seu para sempre. Não é imaginar esse futuro de altos e altos, com carreiras e todos alegres, com tempos somente alegres. Para sempre que pára por aí. Os para sempres de hoje não vão muito adiante. Eles nem vêem nem sabem das páginas em branco e dos baixos que vêm depois dos altos; que vêm mais que os altos; que são mais desesperadores e e torturantes que os altos todos. Os para sempres de hoje não vão até o sempre, mas até um certo ponto do caminho.

Para dizer para sempre, deve ser aceito o sempre. Deve aceitar a incógnita inteira, porque é possível que tudo dê errado. Enquanto tudo dê certo. Para dizer para sempre, deve aceitá-lo como vier. Com carreiras brilhantes ou trabalhos sem muito gosto, com filhos poucos ou muitos, com interrupção de sonhos, com feitura de novos sonhos. O para sempre é cheio de novos sonhos a serem feitos. Não adianta você tomar o sempre para si, como se fosse seu (e nem do outro, só seu). Que não é seu nem dele.

Não adianta inexplorá-lo. Não seguir a linha para frente. Um para sempre é um desejo de vida longa e inteira, de velhice mórbida que ficará melhor se houver o outro. De crises de meia-idade compartilhadas, de rugas conjuntas e fotos que ficam velhas. E fotos que ficam feias. Fotos que ficam belas.

Tudo vem. Se se quer o para sempre, tem que aceitar o tudo que, com o sempre, vem. Tem que ser honesto, e tem que ser um sempre até nunca mais.

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