terça-feira, 23 de abril de 2013

Platônicos de verdade

Eu crio amores platônicos com a rapidez e a urgência dos amores reais. Só que mais. Eu crio amores platônicos como quem inventa histórias bobas de uma só vez, como quem lê a revista no café, nesse mesmo tempo, eu criei meu amor platônico. Ele vive. É grande e é sonho, mas é cheio, visceral, tem odores e um padrão de cores (meio sóbrias) que eu invento para ser só nosso. Só dele, do amor platônico.

O amor platônico que crio como no tempo do banho, ou do tempo que levo da minha casa até o trabalho, já tem nomes, tem apelido para cada um, comida preferida, tem até sequência desencontrada no início. Todo bom amor tem sequência de desencontros em seu começo. Com meu amor [platônico], não é diferente.

Meus amores platônicos eu crio rápido no espaço, eu materializo nossas viagens. Já comprei nossos livros e desenhei um plano de vida individual que é para poder ser a dois. E que vai dar certo. Minhas histórias platônicas dão certo simplesmente, também são leves e apaixonadas, sem dores grandes demais que não sejam uma saudade ou duas. Ou cinco - faz parte dos desencontros que criei.

Eu crio amores platônicos próprios impróprios na rapidez dessa música que tocou na rádio. Bem rápido, bem logo, bem intenso e meu - intenso é meu. E a rapidez com que vêm, não vão. A rapidez com que vêm é proporcional inversa da sua permanência. Eles se demoram. Eu criei os dois por mim mesma, mas eles viraram platônicos de verdade. E ficaram.

Não me livro. Eles ficam.

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