quinta-feira, 18 de abril de 2013

Poucos deles para muito mundo

Das difíceis despedidas na fase adulta, tão pior (?) quanto a do brinquedo transicional, dos patins azuis e dos quilos de menos, o abraço de volte-logo aos amigos é a mais difícil delas. É quando ingenuamente a gente se dá conta, são amigos de menos para lugares demais. E não adianta haver mais deles. A equação não vai pender a seu favor.

E eles vão. A gente chega na faculdade, alguns deles vão. A gente sai da faculdade, mais deles vão. Se a cidade é pequena, as despedidas são mais frequentes. Os planos de mudança são iminentes e urgentes em quem precisa buscar fora o que não tem aqui. Ou em quem quer, sem precisar. Porque ser adulto te deu o arbítrio quase-livre, e, se, como dizem, amigos são para vida toda, estão perto mesmo que distantes, etcétera e tal, eles vão. A gente ajuda nas malas e se despede de uma vez.

Tem espaço demais para eles mundo todo, país inteiro. Que óbvio, e ninguém me contou. E eles se aprontam na primeira melhor oportunidade de se apertar num avião para abrir a cabeça e os sonhos. Eu tenho ficado menor, vazia, feliz e triste. Não dá pra reunir todo mundo no mesmo fim de semana. Uma vez por ano, agora dá. Mas ainda assim, na possibilidade. A conversa tete-a-tete merece passagens, fotos, ônibus, folga. E a gente merece todos eles.

Não tem tecnologia que supra a certeza do perto. Menos ainda a que convoque o abraço. Se fica adulto, se acostuma à solidão, às novas companhias no mesmo bar de sempre, o bar que era nosso, só da gente sem ser, se acostuma também a menos abraços tão cheios de nós. Nossos abraços são cheios de nós, vocês entendem quando falo isso.

Eu sinto saudade. Feliz e triste, sinto uma saudade. Essa palavra nostálgica de nosso vocabulário de então.

Um comentário:

Jorge Ramiro disse...

Fico feliz quando meu cão está feliz, porque ele é a minha vida. Eu amo meu cão, assim que eu compr os melhores brinquedos para cachorro. Assim, ele pode jogar o dia todo e não tem que se preocupar e não fica entediado.