segunda-feira, 20 de maio de 2013

Em casa, mas não

Quando eu tenho muita coisa pra fazer, penso muito sobre coisas inúteis, por exemplo ponderar o lado bom e ruim das coisas. Tudo tem lados bons e ruins, né, e pensar sobre eles filosoficamente é inútil, só não pior do que vir aqui e dizer que tudo tem seu lado bom e ruim.

Mas que. Nessa nossa vida muderna e ousada, a gente deu pra trabalhar em qualquer canto que se preze, preferencialmente no nosso birô, preferencialmente alternando o trabalho com as redes sociais, com a fingida argumentação de que é "pra relaxar" do trabalho, e apoiando-se sobre o preceito do conforto e a cronobiologia. Tudo verdade. Bem dito, bem feito. Acontece que o troço cheio de benfeitorias só podia dar em merda. Como tudo na vida. (Clichê filosófico 02.)

Com a devida disciplina, trabalhar em casa é melhor que trabalhar no trabalho. Sempre. Poder emendar a manhã no pijama, enfiar a garrafa de café na própria mesa, regular a temperatura do ambiente (que deve ser sempre climatizado, não refrigerado), e ainda alternar com o vídeo do youtube e a ligação pro namorado fazendo vozes não promíscuas mas não reveláveis (nunca, tá proibido em ambiente de trabalho). Não tem nada, nada de ruim nisso. A não ser as pessoas que não fazem isso.

Porque trabalhar em casa, para quem não trabalha em casa, significa que você não trabalha. Valendo o mesmo para o verbo estudar ou seu variante morrer-de-estudar. Não interessa. Você tá na sua casa, o que significa que a qualquer momento eu posso entrar no seu quarto e perguntar pela cerra de unha. Ou pedir uma opinião sobre o apartamento do sétimo andar, o que você acha, e se a gente falasse com o seu pai e, sentou na minha cama, já era. Eu não estou trabalhando, por que não entrar e conversar sobre o que pode esperar pelo jantar? Nunca. Se você já está em casa, ora Bias.

Você sendo estudante de psicologia ou psicólogo, além de confundirem seu trabalho-estudo em casa com tempo livre, há também há certeza de que quando você está em silêncio, existe a posta disposição para escutar. Absolutamente. Essa ideia preconcebida do psicólogo precisa ser revolucionada logo; os free-talkers me perseguem na rua, na universidade, no trabalho (na universidade), e na minha casa. Já deu, gente. Peraí. Tenho um trabalho a fazer.

Estudando ou trabalhando em casa também comunica outra certeza para a sociedade: visita surpresa. Qualquer um pode ir na sua casa a qualquer hora do dia (inclusive de madrugada, uma hora que você opta por estudar e trabalhar exatamente por conta dos free-talkers diurnos). E aí, Bia, tá em casa? Tô, tô sim, tô estudando aqui pra pro... Tô chegando aí!, beijo!. Já era.

É preciso se pensar num Código de Ética do Trabalhador em Próprio Domicílio. Com urgência. Enquanto isso vou tomar meu banho e me aprontar para ir para a biblioteca.


*Esquece o celular em casa.

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