segunda-feira, 13 de maio de 2013

Meus Segredos com Ana Elisa Ribeiro

Alguns têm a sorte na vida de se identificar com textos que lêem por aí. Poucos devem ter a sorte de se ver em um livro inteiro. Inteiro.

É bem verdade que coisas boas e ruins a gente sente nessas horas. Sim, meu Deus, é exatamente assim... Ei, peraí, essa frase é minha?! Ai, só porque não escrevi logo um livro antes, me roubou. E ninguém vai acreditar que eu já dizia isso antes! E isso. E isso. E isso também, olha, é exatamente assim que eu me sinto, ainda bem que você me entende, Ana Elisa, porque...

Eu às vezes tenho dificuldade de me expressar. Por mais que eu escreva. Sou pouco falante. Sou também reservada. Então minha escrita nem sempre é escrachada, e, até acontece às vezes, mas não é sempre que eu arreganho as entrelinhas. Ainda bem que você fez isso pra mim. Publicou. Me deu 116 páginas, que eu li em um sábado inteiro, só meu. Só nosso.

Meus Segredos com Capitu foi um livro escrito pra mim, é claro. É óbvio. E você aí me chamando de egocêntrica, eu nem me importo. Se eu estou no livro inteiro, as coisas que sempre digo, que eu sempre penso, e mais o que nunca consegui dizer, o que eu planejo para o meu futuro. Isso é muito grave. A autora escreveu sobre o que eu penso para o meu futuro, e eu nunca disse desses planos para ninguém. Ave Maria.

Ana Elisa segredando com Capitu é ela falando sobre algumas das melhores coisas do mundo: literatura, leitura, escrita, escola. Ela compilou muito de mim em um livro único, preciso repetir. A experiência, se preparem, sou piegas, foi do tipo inesquecível. Havia trechos em que eu lia, e imaginava a mineira puxando os fios do meu pensamento pelos cabelos (oche, minha calvície então é isso). Outros, eu lia, e terminava a frase ao mesmo tempo que ela. Ao mesmo tempo que ela. (Me arrepiei algumas vezes - falo muito sério).

Mentira e verdade, eu terminava um pouco depois dela, né. Eu lia um pouco depois, e não era ela quem puxava meus cabelos e pensamentos letrados, mas o contrário, claro. Sou mais nova do que ela, fizeram questão de me dizer: não é ela que parece com você, é você que se parece com ela. Então uma honra. (O contrário, estando no lugar dela, não seria grandes coisas. Não seria era nada.)

Eu tentei selecionar os melhores trechos, mas sublinhei o livro quase inteiro. Tentei escolher algumas páginas sublinhadas, mas o livro ficou com tantas orelhas que duplicou a grossura. Vou sortear alguns, pra vocês lerem, se tiverem disposição. Pra vocês lerem-na, se tiverem algum bom gosto.

Livros proliferam. A casa é violada, mas os ladrões não levam. (...) Os livros são desejados, comprados e habitam a casa, como as pessoas, só que eles costumam durar mais do que elas. 

Os namorados tinham ódio dos textos, dos espelhos, da exposição e até das dedicatórias. Um poema dedicado a um amigo podia soar estranho: "Quem não te conhece vai achar que você tem um caso com esse cara, vão pensar que eu sou chifrudo." E o eu lírico se refestelava em amores ambíguos e intensos (...). 

E quanto mais a gente escreve, mais a gente escreve. Não adianta só ler. Se ler muito fosse o único investimento para escrever bem, o segredo do sucesso estaria esclarecido: osmose.

Lá vem a máquina de ler códigos de barras. Coitada, só lê isso num livro. Aliás, mais do que muita gente. Mas não lastimo, não. As pessoas foram apresentadas ao livro. Só não entram nele porque acham que têm coisa melhor para fazer. Não sabem o que dizem. Mas isso não é coisa que se peça a alguém ou que se obrigue a fazer. É como pedir amor. Não dá. Então deixe estar.

O barato é que é seguro: milhares de reais investidos nas paredes destas estantes brancas e nenhum ladrão há de querer levar isso um dia. Leva TV, leva som, leva computador, leva até meu tablet cheio de obras virtuais, mas meus livros provavelmente ficarão ali. É torcer para que não me venha um ladrão incendiário. 

(...) Se tocou a sua imaginação, se abriu você para novas ideias, ou para um mundo particular - e quantos romances de entretenimento não nos levam para lá - este livro é sua obra-prima particular.

Ana Elisa me deu uma obra-prima particular.
Muito obrigada!

Um comentário:

Carla Viana Coscarelli disse...

Que emocionante! Quem não gostaria de ter um livro comentado assim, com essa sinceridade? Lindo.