quinta-feira, 9 de maio de 2013

Três Ações incomodam bem demais


Tô com esse texto nas pontas dos dedos desde ontem. Só não sei como começar.

Eu não tenho falado sobre outra coisa que não seja Letras, e sei que já vai cansando. Mudei meu disco lado Psicologia pra esse outro lado do vinil, esse lado sublime das Letras. Mas eu sei e insisto no por quê. Eu acredito demais no poder da leitura. Eu acredito que ler muda pessoas e mundos. Muda escolas, cidades, muda ideias retrógradas. E em se tratando de boas leituras (o que não significa leituras de bons livros), só muda para melhor.

Muito pela criação que tive, pelos genes que recebi, pelo meu pai escrevendo palavras e minha mãe anunciando palavras às vezes sempre, eu cresci sabendo que ler era o hábito mais nobre e urgente de se adquirir. E as estantes e os livros eram muitos. Nunca teve lacuna de literatura na minha casa.

Mesmo com toda a influência, com meu pai me dando Raul Pompeia e Lima Barreto nos aniversários de nove anos, por exemplo, eu só comecei a ler pra valer aos dez. E não parei nunca mais.

Eu não posso me julgar assim tão linda, mas eu sei que ler só me fez (e me faz) crescer. Não é de se ignorar a experiência de viver histórias que não aconteceram, de conhecer pessoas de mentira como se elas existissem. Não dá pra deixar de lado as vantagens da fantasia banal, do floreio, dos mundos diferentes, quando se vive em lugar-comum tão pueril como esse aqui, da nossa vida boa demais, nessa cidade e escolas estáveis demais.

A leitura pode te fazer ser outros, ser muitos. Melhor ainda: pode te fazer ser ninguém, olhando para vários alguéns. E pelo tempo que você quiser. Saber sobre outros, disso os bons psicólogos já sacaram, faz você pensar sobre você mesmo. Suas semelhanças e brigas com os personagens, suas mágoas dos autores que não sustentam sonhos, ou que sustentam sonhos demais, sua decepção com o ponto final mentiroso. Sem simbolismo de final nenhum. Tudo isso vai te fazendo gigante, pelo simples fato de conseguir te colocar defronte outros, tão diferentes, e, o mais importante: concentrando-se neles.

A importância de ler parece que está na importância do seu lugar de espectador, te chamando a atenção para o fato de que existe um mundo fora de você. Existem muitos mundos. Não é possível que você não veja como isso é arma poderosa, destruição em massa: de mesquinhez, do egocentrismos, de sinapses quadradas e rígidas.

Ler transforma você, transforma quem te lê, com quem você conversa e te ouve parafrasear umas linhas que um outro escreveu. Umas linhas sobre qualquer outro assunto não seu, não nosso, que passa a importar simplesmente por que nos tira desse lugar insosso, real, essa vida sem letras que os dias podem ser.

Se as palavras me fizeram mais, em bons sentidos, em importantes sentidos, elas podem fazer isso num mundo inteiro. Depois de fazerem em país, cidades, escolas, casas, pessoas. Começa da gente, é claro. E a gente precisa cutucar quem tá do lado, estendendo uns livros. Precisa cutucar mais gente, e abraçar mais estantes. Precisa acreditar que elas vão ler, porque depois das primeiras páginas, é óbvio, não existe mais volta.

Nas cutucadas, a gente muda alguns, e já muda muito. Há quem diga que Natal tem pouca cultura e pouca literatura porque tem pouco leitor. Mas há quem acredite que o caminho pode ser o contrário: um mergulho de cultura e de literatura pode produzir mais leitores. E vai. E tá sendo. Só precisa da tal cutucada e quem sabe um beliscão.

A terceira edição da Ação Leitura já vem. Em 13, 14, 15, 16 e 17 de maio, vai ter mais literatura em Natal. Vai ter mais palavra, mais autógrafo, mais verso, muita prosa. Até cordel. Tem escolas (públicas e não públicas) no roteiro. Tem leitura até pra quem não gosta de ler. Pra quem não conhece, nunca viu, não sabe como é. Quanto mais gente, melhor. Mais gente melhor.

:)
Vai no link: http://www.jovensescribas.com.br/acaoleitura/

2 comentários:

Débora Oliveira disse...

Sempre me encanto com seu jeito de escrever: bem articulado e fácil de entender.
Essa sensação eu só tinha com música. Sabe quando você ouve uma coisa que te toca? Sei lá! Palavras cotidianas, mas que foram ordenadas de uma maneira que deixa o negócio massa. Você pensa "eu jamais conseguiria explicar esse sentimento, aí vem esse cara e traduz tudo usando palavras que eu já conhecia e usava. Como é que pode?".
Para mim, o nome disso é habilidade. E sério mesmo, você é uma das pessoas mais habilidosas que eu conheço.

Biazetz disse...

Eu gostei demais de ler isso, Débora
:~
brigada mesmo.