segunda-feira, 10 de junho de 2013

Não é saudade

Tenho me queixado de saudade grande, de saudade sua, de coisas nossas. Um tudo que ficou pra trás. Uma vida que parecia ser outra. Nós que agora parecemos ser outros.

Tenho insistido na sua mudança como causa da mudança em você próprio, na sua saída como uma despedida da casca que eu conhecia. E agora tenho eu de me acostumar a um novo invólucro, que, é claro, não vou comprar assim tão fácil.

Mas o tom dos ouvidos que ouvem minha surpresa é de certa conformidade. E porque. É só um outro lado dele que você não conhecia. Não é outro ele.

É outro, é um novo. Eu insisto. É tudo novo, diferente demais, e vem sujeito a reprovações de parâmetros passados. Uma reprovação intensa, que recomenda aprender tudo outra vez, voltando um ano inteiro, ou mais, como recomeço. Já faz um ano inteiro. Eu achei que era menos. Ainda não me despedi da sua casca antiga, e essa nova já começa a ficar velha.

Insistem que eu acredite na não novidade, no suspeito fato do isolamento como um propulsor de faces ocultas que são verdades. Olhe só. Eu não acredito. Eu insisto na saudade, na falta, no estopim daqueles dias tão nossos que não voltam, não ficam iguais, não são mais nem nossos, são só meus. Pois um você agora é um outro.

Pelo meio termo, me convenci da ausência de saudade. Não tenho saudades suas, desse sorriso que está longe (longe em todos os sentidos, para todos os efeitos). Não sinto falta desses tópicos de conversas que por vezes você insiste hoje em dia. Nem de te ver de perto. Não quero te ver de perto. Minha saudade é impossível. Sinto saudade de uma pessoa que não existe mais. Você, quando era outro.

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