quinta-feira, 27 de junho de 2013

Por enquanto até quando até mais

Bem cuidado. Cuidado ao entrar e sair de casa. Cuidado ao entrar no carro. Cuidado ao soar o alarme, mais cuidado se não tiver alarme. Cuidado ao sair do carro. Olhe bem, olhe mais, olhe antes, dê a volta, jogue luzes, buzine, telefone e se possível esteja pronta para que grite. Cuidado.

Cuidado com os muros baixos. Cuidado que muro alto não assusta mais nada. Cuidado que morar em quarto, quinto, décimo primeiro andar não vale de muito. Em verdade, no descuido, é ainda pior morar todos uns por cima dos outros, dentro desses muros altos. Cuidado.

Cuidado quando senta no ônibus. Cuidado se vai em pé e não repara na tua bolsa. Repara na tua bolsa. Cuidado com a bolsa. Não mostra demais. Não se mostra demais, cuidado. Cuidado ao sair portando muita coisa. Cuidado ao sair sem nada, é pior, leve algo, pode ser que seja útil no desespero. Muito cuidado.

Cuidado ao ficar em casa só. Cuidado quando estiver no trabalho com bastante gente. Mais cuidado quando estiver na festa com centenas de gentes. Centenas. Centenas de cuidados (é pouco). E pode ser que nada dê certo. Cuidado.

Suba os vidros, trave as portas, cuidado. Não baixe os vidros. Baixe os vidros e dê o dinheiro. É melhor. Mas cuidado. Podem as coisas ficarem piores. Muito cuidado. Cuidado na esquina. Também na avenida sem esquina próxima. O que pode acontecer?. Tudo. Cuidado. Cuidado no que faz, no que vê, no que diz. Cuidado no barulho. Cuidado ao andar demais. Cuidado se não andar. Cuidado enquanto vive.

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