sexta-feira, 26 de julho de 2013

Estados

Em estado absoluto de catarse. Em estado absoluto de desalento. Eu estado de desagrado, que agravo, fora do agrado. Em estado de submersão infinita. Textos e letras. Em estado de poesia constante. Procurando poemas. Buscando poesias para preencherem vazio. Vazios. Vazia. Poesias redondas, bonitas, imundas, opacas. Do mundo inteiro. O único lugar para sentir-se confortável... O único lutar para sentir-se confortável... A família ou o mundo inteiro. Família. Mundo inteiro. Em estado absoluto de catarse. Afogada em si mesma.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Com minhas máscaras

Mais um dia, mais um encontro, mais festa que se faça, mais gente igual que se veja. Eu ali, defronte todos, outra vez, fingindo sorriso que não existe, os dentes feios que não mostro. Eles ali, todos eles, de novo, iguais. Há vários anos. Em cada um, um personagem. Despedida, ele já vai. Ele cheio de vazio e de palavra bem feita, de barba mal feita, de caráter sujo, e imagens que não são ele. Nem são ninguém ali. Todos iguais. Esforçando-se para ser diferentes uns dos outros, iguais nisso, iguais no fim das contas, travestidos em personagens horrorosos, produzidos por outrem que aprovasse-os assim. Vazios.

Cheios de vazios e eu mais vazia, olhando. Prostrada, de frente. Aceitando a noite a festa o papo. Que papo. Sem paciência. E os personagens falando. As marionetes chegando com seus donos, namorados, namoradas. Donos também personagens, configurando aquele personagem de um jeito mais seu a cada dia.

Os cabelos que se igualam, as fotos que mentem. A aprovação de todos ali, que não estão ali. Não há ninguém ali. Deixaram seus eus na gaveta passada, guardada, desaprovada, surrada em raivas. Todos sorrindo e sentindo como é bom estar ali, sem ser eles próprios. Travestidos. Mentirosos. Abracei um a um denunciando saudade. Saudade de quem estava ali por dentro há cinco, dez, dezoito anos atrás. Dezoito anos, caralho. E todos com saudades uns dos outros, dele que vai embora, mais, mais, saudade desses personagens que por vezes sucumbem ao fracasso de suas rotinas inventadas e se escondem. Eu ali, vendo tudo, desaprovando, sorrindo. Cheia de lágrimas.

Procurei não personagens, procurei o diretor desse circo, desse espetáculo fajuto que cansa quem assiste. Melhor não olhar de fora, ninguém pode com isso. Melhor ser sugado para dentro dele. Assim sobrevivem. Assim existem. Assim desisti.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Pede. Repete.

Repete. Pede mais.

Faz cinco dias que comprei o livro novo. Obedecendo a minha desobediência previsível de furar a fila dos livros, e de ler livros aos dois aos três ao mesmo tempo, arregacei logo esse compêndio de crônica, atraída pela capa colorida (julgo livro pela capa, me julguem, ok, desabafem) e pela boa escrita de quem escreve. Já sabia que ia ser bom.

Até porque, pelo título conhecido, pela capa conhecida, olhei o sumário e reparei logo. Eu, como fã não assumida, convicta dessa condição, mas guardando bem o segredo de participar do fã clube (desde a fundação!), vi logo uma lista de crônicas dentre as quais tinham velhas conhecidas. As Maiores Mentiras de Verão trariam um pedaço ou outro do Verão Veraneio e do É Tudo Mentira; e principalmente as novidades das quais se sabe de lá pra cá. Acho que meu diagnóstico foi preciso (!).

Acontece que, você tendo um livro inteiro nas mãos, pega mal, pega bem mal, pular "o que você já sabe". A gente só faz isso no colégio, na véspera da prova, quando pula o capítulo quase inteiro porque... vai ler só o resumo e se virar no dia seguinte só com isso mesmo. Livros são para serem lidos inteiros (mas eu pulei o prefácio, porque existe o conselho ali de que se você estiver cansado, pule quatro casas, digo, quatro páginas), independente do que você já conheça ou já saiba sobre ele. Até porque, vou te contar esse segredo, livro bom tem um negócio esquisito de te dar a sensação de prazer, de diversão, até de uma certa leveza. Uma droga lícita cujo único efeito colateral é afastar você do trabalho, do estudo, e da louça pra lavar. E lá se foi um dia inteiro sem cumprir esses itens.

Acontece que esse livro me deu das melhores sensações que não têm a ver com lazer, prazer, louça suja porque existem coisas mais importantes do que isso, o livro é uma delas, a principal delas, nem com a façanha de cumprir 170 páginas. Eu já conhecia algumas histórias, já sabia como começavam e terminavam, quais piadas estariam ali, e da minha reação na primeira vez que as li. Eu fazia aquela cara de universitária que já sabe o final da frase do professor e fica cheia de si, praticando o esporte de ser blasé. Coitada.

Eu ri tudo de novo. Eu li o livro inteiro em respeito ao livro (depois à crônica, à quem inventou o termo Galado, à Devaneio e às proparoxítonas, à minha vontade autêntica, e, por último, ao autor), como dito. Eu reli textos que eu já havia lido uma, duas, três vezes antes dali, em anos anteriores. Mas minha aura blasé perdeu força no primeiro parágrafo das Mentiras. Eu sorria e ria, alternando com gargalhadas, e, como característica minha, que entendo piadas depois que todos já pararam de rir, eu começava a rir da crônica anterior quando passava para a próxima. E fechava o livro para rir melhor, com agrado.

Encontrei mais respostas, e mais definições. E agora eu volto pro ponto de falar das melhores sensações que tive lendo as Maiores Mentiras, que não foram lazer, prazer, etcétera, tá bom. A crônica boa é a que repete. É a que repete o riso, o sorriso, insiste na piada e não cansa. E bota quem lê pra sorrir diante dela. E pra se espelhar, rindo de si mesmo, com uma vergonha travestida de orgulho (ou o contrário), você se vendo ali no livros dos outros. A crônica boa não cansa, nem fica pra trás. Ela é cotidiano atravessando o tempo, viajando pra frente e pra trás, e por isso não perde a graça. Crônica boa é crônica que não perde a graça. Autor bom é o que não perde o riso dos outros.

Lendo os antigos e os novos de Fialho, dá pra se sentir como sentando com um velho amigo na mesa do mesmo bar, do bar de sempre, tomando a cerveja de sempre (a única que o bar serve), e ouvindo-o repetir as boas histórias de vocês dois. Também as mesmas de sempre. Você já sabe como começa e como termina, mas quer ouvi-lo mesmo assim, porque sabe que vai valer a pena vê-lo contar. E também aumentar,  mentir, não só contar, né, sobre os fatos. Tudo pra não perder a piada. Um galado. (Pensei alto.)


P.S.: Não vou publicar trechos do livro aqui para não ser posteriormente acusada dos melhores spoilers das maiores mentiras que já foram contadas sobre o verão. Um abraço.

Nós, sorrisos

Nossos sorrisos se olhando
Nossos sorrisos se encarando
Nossos sorrisos se escancarando
Por horas e dias
Nossas horas e dias
Nossas sorrisos comemorando
sua volta
Escancarados
Em abraços

Regras são regras

Existem muitas lições de vida e de etiqueta que você recebe em casa, ainda infante, adolescente, adolescendo, cujo intuito único é fazer de você alguém que valha a pena ter sido feito e produzido para o mundo. Tudo isso para então, em vida adulta, quase sempre nessa fase, ter de fazer tudo ao contrário. E não é mero desaprender. É aprender o contrário. Porque a etiqueta do bom convívio social, principalmente essa, tem de estar incorporada aí dentro do seu coração, ou em qualquer lugar parecido com esse, caso você consiga mantê-lo por fim. E, enquanto isso, você desenrola o caminho contrário, para se adequar às normas sociais vigentes. Foco.

Um exemplo desse avesso é o trânsito. Você que aprendeu a parar de morder as pessoas quando tinha três anos, parar de empurrar gente de cima do escorregador quando tinha cinco, e a não furar o olho da amiga pegando o paquera da menina aos onze, via de regra, vá agora pelo caminho inverso. Desrespeite. Não tolere. Esqueça que existem outras pessoas. Você é único nessa vida de Deus no Céu e SUVS do outro lado da calçada.

A outra empreitada a cumprir então é a vida no condomínio. Não sei vocês, mas acredito que sei vocês, mas por aqui as coisas são bem assim. Faça ao contrário. Etiqueta aqui é coisa controversa.

Quando eu me mudei para o prédio onde eu moro hoje, eu tinha 11 anos. Aquela idade horrorosa onde você não é criança nem adolescente, ou seja, não é gente. Você logo aprende que não existe. As pessoas passam por dentro de você, por cima, por baixo. Nem sentem. Nem você. E você só inesperadamente retira a capa da invisibilidade quando um de seus genitores te acompanha no elevador.

Depois você aprende que não tem nada a ver com estrato cronológico, mas social mesmo. Dito má vontade. Hoje, onze anos depois, fico boba, fico tonta, com a quantidade de gente que, aqui no condomínio, passa por dentro de mim sem que eu perceba! Veja, esses dias eu saía do elevador, e como regra básica que aprendi na vida e na Física, é melhor que um saia do elevador antes que o outro entre, por motivos óbvios de fazer circular o ar de fora com o ar de dentro, isto é, caber gente dentro da cabine, a vizinha do andar de cima me atravessou e atropelou e deu com os peitos na minha cara, menina, não senti nada. Nem o óculos caiu. A moça entrou e ostentava seu jaleco com o cuidado com que não teve para evitar o acidente que poderia ter acontecido me atropelando, e manteve-se olhando para o horizonte. Eu olhava para ela, para o elevador, para dentro de mim, não via nada. Eu nem existia. E fiquei me procurando! (Boba.)

Tem um negócio diferente aqui que é algo que eu vez por outra observo nos bancos. Se você segura a porta pra pessoa passar, entrar, sair, porque ela é mais velha, mais feia, mais triste, e porque seus pais te ensinaram que isso é algo importante de se fazer, gentileza gera gentileza, essas bobagens, o sujeito ou a sujeita passam e te dedicam a certeza: ainda bem que você é servo de alguém tão importante como eu. E a pessoa que segura a maçaneta, impavidamente, deve se sentir lisonjeada. Regra.

Outra coisa curiosa é quando você, por ventura, usa o elevador de serviço (eu uso o que estiver mais perto do andar, contrariando a regra geral total e absoluta de que você deve sempre, em todas as hipóteses, independente da não gravidade e não urgência de seu compromisso, chamar os dois elevadores, pois, via de regra, você é o único morador do condomínio), e algum empregado doméstico está ali esperando a cabine. Se tu diz um "boa tarde" eles dão um sobressalto danado. Parece ofensa. Ou uma palavra que eles nunca ouviram na vida. De repente, vai ver, nunca ouviram isso, tão me achando estrangeira, e nem esperavam, visto as havaianas sujas e a cara de quem tá chegando agora de Monte Alegre. A regra do condomínio é ignora-los. Anota.

Existem outros ditames implícitos e explícitos que poderiam ser citados. Um deles é a dualidade tamanho do carro versus tamanho da sua garagem. E o que isso significa para a sociedade condominial. Mas talvez depois, com mais tempo, eu falo. O elevador não chega nunca. Vou precisar pegar as escadas agora.


P.S.: Obedecendo meu espírito tradicional e conservador, sigo à risca as regras aprendidas em seio familiar, dando total descrédito à essa revolução na etiqueta social da contemporaneidade. "Reaça!" gritariam meus vizinhos. Mas eles nunca me viram nem me ouvem, então, silêncio.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O tempo inteiro e vinte e quatro horas

Os assuntos não cessam, as conversas não param, o gtalk não descansa. Nem a mensagem, o telefone, o então chat, às vezes o antigo mirc. E logo mais eu chego por aí. Não, hoje não. Logo mais você aparece aqui, com a proposta nada suspeita de me cuidar em dia de dores. Essa semana virão as cólicas. Então você deve chegar bem logo.

Você acha que não sabe de muita coisa e que é incapaz de conversar sobre vários (todos) temas (qualquer um) por mais de vinte minutos. Você acha inclusive que é incapaz de manter um diálogo por ininterrupta meia hora. Só se esse diálogo for a seis. A dez. Doze. Com cerveja e paçoca no meio, no boteco aqui de baixo. Até que você descobre um namorado que teve um temperamento clonado a partir do seu. Ou o inverso. Já que quem nasceu primeiro foi o outro, não tu (faço questão de estabelecer essas regras cronológicas pra não cometer injustiça com ninguém).

E parece que podem passar os dias inteiros, o final de semana com feriado, o sono compartilhado no colchão de solteiro, romanticamente grudados (aqui não há duplo sentido, pare) como na música do Bob Marley, e mais os últimos minutos do dia anterior aos filmes, aos beijos, aos ataques em geladeira. No outro dia começará tudo de novo. Oito horas de sono compartilhadas à distância e a gente tem muito assunto pra conversar. Colocar em dia. O quê não sei (sem duplo sentido). A gente vai conversar sobre tudo um pouco, na verdade sobre quase nada, sobre mim, sobre você, e sobre nós dois. O tempo todo, estamos falando de nós dois. Porque essa euforia de palavras não pode ser outra coisa que não isso. A gente. Salpicados de saudade.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Vem, tarde

E em cada dia mais sorumbática, isolada, tremendo de frio e de solidão. E em casa, cada dia mais sorumbática, isolada, sentindo frio, com solidão. Temperando as costelas à mostra com mais textos que se derramam em sonhos. Com mais de mim mesma se derramando nos livros. Se pulverizando no meio deles depois. E não sobrando nada meu. Ficou tudo lá. E já estava. Eu li de entrega e perdi o que me restava. Existem tantos iguais a mim assim. Que coisa de ser comum. Existem poucos. E por coincidência me estrepei comigo mesma lendo meu texto que nunca escrevi. Sem perguntas. Cada vez menos interrogações. Vazio e não-palavra. Mais sorumbática, soturna, sozinha. Apreciando a companhia de si mesma. Conversando de igual para igual com a solidão. Não há quem sinta falta. Quem mais sente falta de mim enquanto saio fingindo sorrisos e soltando cabelos é só ela, ela mesma. Eu mesma solidão.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Silas contado

E aí.
Terminei de ler o Silas. O Silas. Um livro desses com cara de moderno, colorido, capa bonita, livro de conto, de texto curto, como mais se faz hoje em dia, que é pra ver se esse povo cheio de déficit de atenção não perde o fio da meada entre as páginas do romance.

Li em dois dias porque ontem e hoje tive de fazer aquelas coisas necessárias tipo estudar/trabalhar. Não deu pra ficar só se divertindo. Mas pelo menos dividi em dois tempos o prazer do livro. Bom demais de ler.

É bom de abrir no meio da semana cheia e chata, de tão chata, vazia. Porque o Silas vai preencher seu vazio sem se fazer assim tão cheio, abarrotando tudo. Silas é um livro bem leve. Mas o Silas nem é. Entende?

Quando eu vim dias atrás aqui falar de um livro de crônica, e da crônica, eu tinha fechado antes um pdf de contos, e estava elucubrando mais coisas a respeito dos gêneros, enquanto virtudes literárias, e não enquanto gêneros literários (papo meio chato; os escritores parece que fogem). Quando eu disse da crônica pegar um grão de areia e pôr os binóculos de realidade sobre ele, o conto me parece que faz o caminho inverso, pra arredondar o movimento inteiro, como no balé, no balé da literatura. O contista pega uma realidade bem densa, profunda, às vezes imunda, feia, e recorta sem dó. Porque dar o retrato inteiro seria uma enchente psicológica muito grande pra essa galera que lê. É de dar dor, nem dó.

Eu fosse você (mas ainda bem que não sou) comprava o Silas que Sérgio Fantini escreveu. E ia logo ler essa realidade banal - superficialmente banal - bem traçada como está. Se contar é uma coisa que você gosta de fazer, e de apreciar, pegue logo o livro (eu não empresto, está autografado), e encare os caminhos imprecisos que o conto pode assumir, a versatilidade que Sérgio colocou pra eles. Você vai ter mais do que pensar quando for escrever, ó. Aviso dado.

E tenho mais dois motivos para você assumir seu relacionamento sério breve mas certeiro com o Silas: depois de amanhã, quinta, 18 de julho desse 2013, tem lançamento da editora Jovens Escribas no Solar Bela Vista (não preciso dizer que é Natal-RN, ali de frente pra Capitania, se meus três leitores do blog são de Natal e sabem do que se trata). O Silas não vai tá se lançando pra cima de ninguém, mas fica mais facinho em dia de lançamento, porque a editora vende seus exemplares mais baratos nesses dias em que se lança (e quanto mais livro, mais barato fica).

O outro motivo é que 08 de agosto do mesmo 2013, para o mesmo Solar e a mesma Editora, o Sérgio vem aí. O antigo dono do Silas. Que vai ser seu quando o Sérgio autografá-lo pra você.

Avisos dados.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Meus livros, meus clássicos, meus.

Eu bem acho. Calvino tá mais que certo, e mais professores aí também. Ler um clássico mais de uma vez, mais de duas vezes, assim, ao longo da vida, transpassando as eras da sua existência de viagem única, os estágios piagetianos e o que mais seja. Um mesmo livro em épocas diferentes são mesmo livros diferentes. Essa ideia meio alargada por senso comum dá margem pra muito texto bom de autor bom por aí. E é o que subjaz a leitura a escrita a crítica e o tempo vazio de quem faz crítica.

Mas veja. Eu não desprezo as listas, o Calvino ou o professor. Também não meu pai, que diz pra eu ler menos tanto de "autores novos". Insiste no tempo transpassado. Na literatura de tempos transpassados, esses ditos clássicos. Mas como diz o louco da plateia, ou o chato da sala de aula, "concordo em partes". Com esse papo de clássico.

Cheia de achismo senso comum, eu mesma digo que euzinha acho: quem diz o que é clássico é você mesmo; e o que é, ou o que foi clássico pra você. São esses aí que você tem que respeitar mais. Ler mais, ler de novo. Espremer o dorso até que o livro grite e se explique: é clássico. Pra você. E por quê.

A despeito de qualquer lista ou biblioteca de envergadura. Eu já elenquei a releitura de Marçal para um outro ano. E de Galeras. São livros cujas histórias me dão saudade. Ou nostalgia, pra parecer menos sentimental. Eu às vezes me pego pensando nos personagens, lamentando que eles não estão mais no meu dia, que ficaram recolhidos sobrevivendo sua mesma história na minha estante (dessa minha biblioteca sem envergadura e sem lista renomada de títulos clássicos). Eu vejo um ou outro personagem pela rua e quase bato o carro no susto. Pulou do livro, chateado com minha ausência. Mas já prometi encontrá-los novamente, em dias clássicos mais para frente. Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, Barba Ensopada de Sangue, Cachalote vão no aguardo.

Tchekov com seu Beijo e suas Outras Histórias também me esperam para um outro dia. Me recomendaram sua leitura à guisa de oficina, já pensou se isso não é clássico que se guarde para lê-lo em repetido para sempre?... E O Apanhador no Campo de Centeio. Aquele empréstimo em boa hora, que de bom grado devolvi, mas ainda tenho catado com os livreiros, que só me respondem negando. Tá ruim de encontrar esse livro - que ainda não procurei tanto; não está na hora de reler esse meu clássico, espero um pouco mais.

E meus dois clássicos que devem de virar livros de cabeceira um dia, no dia de menos conflitos existenciais fajutos como esses que tenho, no dia de menos angústias cortantes como essas que tenho, que acho que me matarão rapidamente se eu abrir sem preparo esses meus dois clássicos: Intermitências da Morte, O Escafandro e a Borboleta.

Meus clássicos à minha espera. Meus clássicos e a minha espera.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Sem ser injusta, ora

Existem dois erros do tipo lugar-comum que a gente comete sempre às vezes, e às vezes nunca apercebe-se. O primeiro é "o livro é melhor que o filme, o filme é muito ruim!" (mas sobre Game of Thrones eu tenho argumentos fortíssimos, não me venha), o segundo é "ele é bom compositor só, mas escreve muito mal, o livro é péssimo, fuja!". Ou as variantes do filme para série, e do compositor para poeta, e livro para crônica.

Um Drummond na sua mão não pode ser ruim, pode? Se sua dor de cotovelo estiver às tantas, quem sabe seja mais doloroso de lê-lo, levando tapas de verdades, ou de saudade. Melhor não experimentar (eu não topo o desafio).

Peguei um Drummond cronista e cometi o pecado de criar expectativas, tomando por base a poesia. Mas se. Que coisa absurda é a pessoa esperar que o hambúrguer da pizzaria seja outra maravilha. E depois ficar julgando o guitarrista que arriscou o bandolim. Isso é feio.

Alguns textos dele em De notícias não notícias faz-se a crônica deixam o fim em suspenso. Você eleva a expectativa, suspende, mais, mais, espera o arremate, e, reticências, ele terminou assim mesmo, do jeito que se terminam muitas coisas na vida: naturalmente. Em outros, parece que ele ficou sedento de poesia, e danou um tico de lirismo onde não cabia lirismo algum, não ali, exatamente ali. E o copo de quem lia ficou foi cheio. O meu. O meu copo que era raso, porque comecei com expectativa errada por demais.

Mas a expectativa errada e o copo raso, e a impaciência cheia, eles, assim, juntinhos!, me puseram a pensar mais e reclamar menos. De Drummond, da notícia, da crônica. Mas veja. Esse senhor escreveu em 1970 coisas que nos servem para hoje, e, principalmente, pra amanhã e depois. E isso é o existir mais bonito de uma crônica. É por quê ela se faz. É o melhor motivo para ela estar ali: atravessar o tempo.

E ele comete essa arte toda olhando pra notícias e pra não notícias; ou seja, pra tudo o mais que acontece e que não se divulga tanto, mas que é fato, que é nosso. Os cronistas têm disso: pegam pela orelha da página, pela orelha da nossa cabeça, pelo suspiro levantado, e arreganham a realidade. Bem na nossa frente. Num assédio nada obscuro. Real.

A crônica é pra virar um quadro em três dê daquela vírgula, uma pintura com tamanho em quilômetros, um alargamento daquilo que a gente não vê - por sermos cegos para o óbvio. Esse texto curto e cotidiano, bem simples, bem direto, não foi assim que o professor ensinou?, ele é tudo menos corriqueiro, e o simples é só a fachada, modo de falar. Nada de modo de ler. Nem modo de ouvir o que foi escrito.

Posto isso, visto isso, tá entendido, tá feito. Drummond em crônica é maravilhoso de outro jeito, é maravilhoso em seu jeito de cronista. Não misturemos as línguas. Vejamos esse atravessador de tempos, o Carlos:

"- Solidão a dois, a três, eu aprecio, quando os colegas sabem viver em comunidade. A gente não está nem sozinho nem com a multidão. Equilibrado. Cada um cuida de si, e reina ordem no viaduto. O que eu não suporto é viaduto desorganizado. Sou muito exigente neste particular." (Viadutos)

"- Em festa de jacaré...
- Não entendi.
- Inhambu não entra, o senhor não sabia? Os caras que têm ensino tiram de letra nas provas. Ou não tiram? Na prática, sim, é outro samba, mas a tal de teoria é de doer. Mesmo assim eu não estava ligando muito, e me preparei com o meu mobralzinho. A questão é que aqui dentro bate uma coisa chamada coração.
- Continuo não entendendo. Que tem coração com pedágio?
- Eu ia lá tirar o pão da boca de uma professora, se foi outra professora que me ensinou a ler? Diga, eu ia? [...]
- [...] E a moça era jóia.
- Bonita?
- Sabe que nem reparei? Era doce, tinha um jeito de fruta macia, meio machucada porque colheram ela de mau jeito, e a casca sofria um pouco. Mas ria pra mim com uns dentes tão certinhos, nem estava chateada porque disputava um lugar daqueles, no meio de gente humilde.
- Resultado?
- O senhor ainda pergunta? Saí de lá com o rabo entre as pernas e nunca mais entro em concurso nenhum neste Rio de Janeiro. Volto logo pra Estrela Dalva, que é minha terra, onde ninguém tira lugar de ninguém!" (O Delicado)

"Tudo indica que o Outro é cumplice de quem diz: Como diz o outro." (O Outro)

"- A gente só se entende, isto é, só prepara o tardio entendimento, pela oposição, pelo contraste, pelo choque.
- Não haverá um caminho menos cruel para isso?
- Você sabe perfeitamente que não. E que não é a diferença de naturezas que produz o choque. É a identidade." (Diálogo Imaginário)

E adianta. Adiante.

Não adianta.
Se você continua a esquecer que o outro é outro e achar que só existe tu aí, não adianta. Se você engana a balconista, mente pro dono da floricultura, consegue as entradas grátis, o brinde, o apreço, porque contou mentira e deu certo, não adianta. Aí se você enfia o carro em cima da calçada, se buzina e não espera, se não agradece quem segura a porta pra você passar, pois tem certeza que toda a humanidade foi educada para abrir e segurar portas pelas maçanetas enquanto você desfila, não adianta. Não tem como.
E mais se você continua justificando os erros com mais erros, chamando os dois, quatro elevadores do condomínio, porque, afinal, todo mundo faz isso, é errado mas se o vizinho do nono andar faz eu também faço pra ser ruim com ele e puni-lo sem que ele saiba mas na verdade só estou reproduzindo um erro vergonhoso como esse, não adianta. O que você fez?
E justificando os erros do Estado com os erros desse povo maldito, que o ônibus parou porque o vândalo atacou o ônibus, que todo mundo fica a pé porque é assim mesmo, já pensou, expor as pessoas desse jeito à alguma violência, eu sei que tá errado, tá erradíssimo, mas tem que fazer, é o jeito. Não, não tem que fazer, não é o único jeito, e estamos em Terra pra pensar inventar os caminhos. Não pra justificar erro com mais erro. Pra fazer o caminho errado todo inteiro de novo. Que foi assim que estagnamos quinhentos anos em todos os dias de nossa história.
Não adianta furar fila, passar na frente. Não esperar o outro terminar de falar. Não esperar o outro escolher o que quer para si, para própria vida, não aceitar se o outro pensa ao avesso, se prefere comer homem ou mulher, ou ser vegetariano. Pra quê.

Você então vai gritar pelo quê? Para que os outros façam o que você não faz? Não adianta, é melhor parar. Se for pra ser assim, não faça nada, continue de valores iguais, é melhor parar. E aí, fica tudo como está, fica tudo no mesmo lugar.

Que dá no mesmo que sair gritando para ser ouvido, mas sem que tu faça nada de ação como essas todos os dias. As que realmente importam, que são força motriz da mudança. E não cansa o mundo em nos olhar, em esperar o final.

Se o seu levantar a bunda do sofá não se transforma em tudo isso, nesse tudo que é tão simples, e tão mais prático, é melhor que você deixe a bunda onde está. Para você também não cansar.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Eu não

Eu não confio. Não posso passar por cima das minhas convicções, das experiências traumáticas. Menos ainda por cima dos estudos empíricos que algumas vezes fiz. Tenho fechado os olhos para evitar mais "eu já sabia". Em verdade, há muito tempo parei de confiar em quem gostasse de gastos. Pior, em quem confiasse neles. E em quem advogasse a seu favor (o horror!).

Até hoje acho impróprio que se confie em gatos, por favor. Que se goste deles. Eu não maltrataria-os nem atropelaria um (tem gentes em contos por aí que fazem isso, hein), mas vivo melhor sem eles. Ou tento.

Quer dizer que quando eu era criança, e, como uma criança feliz, amante dos animais, um desses felinos classudos, de raça e tudo mais, com quem eu brincava dias e noites, esperou eu atravessar pela porta, sentado sobre os quartos, e no vislumbre do meu tornozelo infantil, coitada de mim, tentou me matar. O gato que era gata colocou quatro patas cheias de unhas e um boca cheia de dentes que são piores que agulhas e ficou pendurado ali, por trinta minutos que devem ter sido vinte segundos. E o público aplaudia, sorrindo: "ela só quer brincar!". Mas quando um psicopata joga crianças pela janela vocês reprovam. É só o mesmo instinto maligno, pelo amor de Deus.

Dei uma segunda chance a outro bicho desses, que tinha uma vida feliz e era bem educado, até. Eu conversava com minha amiga em cima da cama dela, novamente meus pés pendurados, e, pá!, outra tentativa de assassinato. O público de um achava o máximo: "olha, ela só tá brincando!". Talvez eu tenha chorado pra dentro nesse dia.

E nunca mais olhei para um gato sem que ele olhasse para mim me ameaçando morrer sentindo dores. E eventualmente eu grito diante deles, e encho os olhos de lágrimas porque as pessoas me reprovam quando faço isso; acham gatos uma espécie gente boa. Assim como as respectivas pulsões de morte que eles têm.

Já tá ridículo. Mas piora quando o sujeito vem pra cima de mim com quatro, cinco gatos dentro de casa. Às vezes mais. E serve refeições aos gatos da rua. E fica ofendido: "como assim, você não gosta de gatos?!". Enquanto o animal ouve com satisfação os elogios que ele não merece, mas que forja bem por merecer.

O bicho não faz a menor questão que você exista, respire, ou sorria, contanto que exista alimento para ele - tão ruim quanto um ser humano ele é. Ele não acha o máximo você chegar em casa. Na verdade, ele faz questão de exalar o tédio que você representa para ele. E, porra, eles têm um mau caráter inadmissível: subitamente se aproximam de você e roçam nas suas pernas. Roçam nas suas pernas. Eu não confio em ninguém que de repente venha roçar nas minhas pernas, por favor. Vocês sim, e ainda acham normal. E acham esquisito quem não goste. (Mas o sujeito do ônibus é um tarado asqueroso.)

Eles vivem em posição de dar o bote. Eles te olham nos olhos e não piscam e não tremem e ameaçam. (Vocês já ouviram o que eles dizem quando te olham assim?!) Não te fazem companhia e não gostam da sua companhia. É melhor que você nem exista, inclusive - por isso os ataques a tornozelos forjados sob a alcunha de brincadeira. Eles levam a sério.

A primeira gata que me atacou morava no quarto andar de um edifício, e mantinha o hábito de subir (sem barulho e muito rápido, assim como os ladrões, vândalos e psicopatas praticam seus atos) à janela e ficar sobre a beirada, como que prestes a se jogar, olhando o horizonte, por horas. E sempre ignorou os protestos dos adultos que a amavam e a queriam no chão, temendo por sua vida, ali em risco alto.

E vocês confiando nesses bichos. Não dá! Não dá pra confiar em vocês. Desculpe.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Pra onde vai o texto

E o que te incomoda.
Eu só escrevo sobre romance. Eu só escrevo sobre amor, coisa romântica, casal. É um saco. Não consigo virar o disco.
É o que você sente, escreve.
Eu sei. É o que eu sou. Já pensou, que saco.

Eu comecei a escrever de mim pra mim aos doze, mais aos treze, cada vez mais na adolescência inteira. Comecei a mostrar a dois ou três o que eu escrevia de mim para mim. Lembro que vinha endereçado no cabeçalho - e essa é uma memória falsa que criei, de propósito. É verdade que às vezes se chega alguém dizendo que se leu no que eu escrevi pra mim. Eu acho é graça. Esse povo parecido comigo. Dá dó.

Eu comecei a escrever só pra mim e não parei mais. Eu pude contar um mesmo segredo diversas vezes, de um jeito sempre diferente, como se tivesse enrolando uma nova história. Ninguém percebia. Era eu de frente pro espelho ou de frente pro terapeuta grátis, lamentando a mesma coisa de novo. Uma beleza.

E nesse auto-endereçamento eu realizei um monte de desejo. Do tipo bom e do tipo ruim. E do impossível. Eu matei sonhos e até a mim mesma. Eu ressuscitei pessoas. Eu vivi tudo de novo, vivi tudo diferente também. Tenho dó de quem não escreve pra si mesmo. Dá dó disso também.

E às vezes forço os dedos que são coração escrevendo pros outros, contando uma história ou outra, coisa inventada, coisa de conto. Tá ruim. Tá difícil. Não dá pra escrever pros outros. Eu aprendi foi o contrário, sendo subversiva (essa palavra pode? Me repreendem as palavras esdrúxulas - ó! - demais na hora de escrever pros outros. Eu não me importo, se eu não escrevo pros outros coisa nenhuma).

Escrita pra mim é antes e só introspecção. É reflexão sobre eles, sobre tudo, só pra mim mesma. Não é autorreflexão, só às vezes, mas tenho dificuldade de me olhar nesse tipo de espelho, e evito. Com ele, eu só converso e grito mesmo. É como vivemos. É como a escrita nos sustenta.

Porque nesse olhar pra dentro eu sou mais livre. Pois é. Escrever me liberta porque a única coisa que aprendi a fazer e que faço quase todos os dias é falar comigo mesma. Sem meia palavra, em textos inteiros. Que são duplamente meus.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Me ensinando a namorar

Eu já havia entrado em febre. Há alguns anos eu já lia regularmente; em mais recentes anos eu lia numa frequência que queria que fosse frenética, mas que nem sempre dava, apesar da potencialidade que tinha em se aproximar disso. E a casa já com muitos livros; meu pai com uma conta em livraria - dentro da própria universidade que estudo; e me comprando livros como as blogueiras quando compram em lojas de departamentos: sem dó. Mas com controle.

Eu vinha sendo apresentada a livros fantásticos. Vinha aprendendo a descobrir livros fantásticos (essa etapa é uma das melhores). Tinha conhecido autores e descoberto que dentro de quem escreve existe mais mistério e prazer do que se pode desconfiar, e pensar sobre autores e livros já era passatempo, quase atravancando para a posição de hobby, até porque tinha começado a escrever sobre eles aqui, no diário.

Eu chegava com livros novos das livrarias, livros antigos novos, livros recém-lançados, e mostrava, encantada. Mais, na matemática óbvia da vida, você, que não vive de ler, e você que vive, sabe que o final é sempre o mesmo: fica o superávit de livros na estante, esperando para serem lidos. Sofrendo na fila. Você sofrendo com a fila.

Eu já tinha as listas prontas. Pai, quando é que o senhor vai na livraria?, tô com uma lista de livros aqui pra te pedir pra comprar... Vá com calma, minha filha. Livro não é pra comprar desse jeito. Não é pra viver comprando livro. Livro a gente tem que ter, ler, com calma, ir devagar. Você tem que ler os livros primeiro, um de cada vez, minha filha. O final da frase perde um pouco o fôlego porque nem todo velho tem paciência com jovem desastroso. E eu, bem desastrada, olhava para minha lista.

Não é o primeiro que me ensina a ler, no sentido pós-moderno da palavra. Um amigo já disse para eu parar de brigar com livros e autores que não consigo ler. Pra guardar, esperar, fazer as pazes, e, depois de meses, marcar um novo encontro. E aí, de novo, na calma, sem a pressa da fila na estante, ler o livro e o autor. Lê-los. (Cinquenta por cento das vezes deu certo; nas restantes, eu briguei e estabeleci a inimizade.)

Mais um outro (esse jovem, sim) me disse que eu tinha de ir com mais calma mesmo. Que esse negócio de ir devorando livros sempre, demais, todas as vezes, não era bom. O livro tava ali pra servir de companhia, de aconchego na cama antes de dormir. A literatura a gente tinha que curtir.

Mas quê. Eles me ensinam a namorar os livros e as letras. Eles que já namoraram e ainda namoram tanto, tão bem. E que conseguem falar das histórias como quem fala de si, ou de sonhos, de filmes preferidos. De amores presentes e antigos. Deleitam-se sempre. E me mostram o caminho sem pedras que faz sentido eu seguir. Um livro de cada vez, menos livraria e mais estante, mais sutileza, menos estupor.

Como boa aluna, ouvi, concordei, me expliquei, guardei as listas. Depois fiz tudo ao contrário. Não dá. Eu não me enamoro tanto assim dos rapazes e das moças. Dos romances, das histórias. Eu não aprecio-os aos poucos, eu não espero o pedido nem o beijo. Eu não conto os encontros. Eu vou no atropelo com todos eles. Mais ou menos como numa suruba, ou numa vida afetiva "agitada". Você sabe.

Eu abraço e agarro os livros. Eu levo personagens dentro de mim, e, às vezes, encontro-os nas ruas, nas fotos dos outros, e quase que grito!, mas seria um ciúme sem direitos, porque eu já vou estar em outra. E meu personagem pode andar por aí, mais livre. Meu autor pode escrever mais. Meu livro já não vai ser mais meu (nem seu, porque não empresto livros). Não poderei reclamar propriedade alguma. Eu ponho todo o pote pra minha sede, não guardo; e minha energia vai em doação única, em dose única, principalmente em livros que leio em um dia único. E que nunca esqueço deles.

Não existe namoro nem relação estável. Nem nada sutil ou sublime. Eu agarro as páginas; só solto quando termino com elas. Eu quem decido. Quase sempre é rápido, é fugaz. Comigo, a fila anda. Tem quem esteja me olhando na espera, tem os que não me vêem mas que eu paquero há meses, há anos. E que vou trazer pra cá. Vão ser mais uns, mais outros. Sem longos relacionamentos. Estou na fase (no auge) das relações breves, intensas, que se escrevem mas não duram. Mas ficam.

Comecei a ler (de verdade) faz pouco tempo, pai. Aceite o destrambelhamento de quem é jovem. Aprender a namorar não tá na hora.