quarta-feira, 24 de julho de 2013

Com minhas máscaras

Mais um dia, mais um encontro, mais festa que se faça, mais gente igual que se veja. Eu ali, defronte todos, outra vez, fingindo sorriso que não existe, os dentes feios que não mostro. Eles ali, todos eles, de novo, iguais. Há vários anos. Em cada um, um personagem. Despedida, ele já vai. Ele cheio de vazio e de palavra bem feita, de barba mal feita, de caráter sujo, e imagens que não são ele. Nem são ninguém ali. Todos iguais. Esforçando-se para ser diferentes uns dos outros, iguais nisso, iguais no fim das contas, travestidos em personagens horrorosos, produzidos por outrem que aprovasse-os assim. Vazios.

Cheios de vazios e eu mais vazia, olhando. Prostrada, de frente. Aceitando a noite a festa o papo. Que papo. Sem paciência. E os personagens falando. As marionetes chegando com seus donos, namorados, namoradas. Donos também personagens, configurando aquele personagem de um jeito mais seu a cada dia.

Os cabelos que se igualam, as fotos que mentem. A aprovação de todos ali, que não estão ali. Não há ninguém ali. Deixaram seus eus na gaveta passada, guardada, desaprovada, surrada em raivas. Todos sorrindo e sentindo como é bom estar ali, sem ser eles próprios. Travestidos. Mentirosos. Abracei um a um denunciando saudade. Saudade de quem estava ali por dentro há cinco, dez, dezoito anos atrás. Dezoito anos, caralho. E todos com saudades uns dos outros, dele que vai embora, mais, mais, saudade desses personagens que por vezes sucumbem ao fracasso de suas rotinas inventadas e se escondem. Eu ali, vendo tudo, desaprovando, sorrindo. Cheia de lágrimas.

Procurei não personagens, procurei o diretor desse circo, desse espetáculo fajuto que cansa quem assiste. Melhor não olhar de fora, ninguém pode com isso. Melhor ser sugado para dentro dele. Assim sobrevivem. Assim existem. Assim desisti.

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