quarta-feira, 10 de julho de 2013

E adianta. Adiante.

Não adianta.
Se você continua a esquecer que o outro é outro e achar que só existe tu aí, não adianta. Se você engana a balconista, mente pro dono da floricultura, consegue as entradas grátis, o brinde, o apreço, porque contou mentira e deu certo, não adianta. Aí se você enfia o carro em cima da calçada, se buzina e não espera, se não agradece quem segura a porta pra você passar, pois tem certeza que toda a humanidade foi educada para abrir e segurar portas pelas maçanetas enquanto você desfila, não adianta. Não tem como.
E mais se você continua justificando os erros com mais erros, chamando os dois, quatro elevadores do condomínio, porque, afinal, todo mundo faz isso, é errado mas se o vizinho do nono andar faz eu também faço pra ser ruim com ele e puni-lo sem que ele saiba mas na verdade só estou reproduzindo um erro vergonhoso como esse, não adianta. O que você fez?
E justificando os erros do Estado com os erros desse povo maldito, que o ônibus parou porque o vândalo atacou o ônibus, que todo mundo fica a pé porque é assim mesmo, já pensou, expor as pessoas desse jeito à alguma violência, eu sei que tá errado, tá erradíssimo, mas tem que fazer, é o jeito. Não, não tem que fazer, não é o único jeito, e estamos em Terra pra pensar inventar os caminhos. Não pra justificar erro com mais erro. Pra fazer o caminho errado todo inteiro de novo. Que foi assim que estagnamos quinhentos anos em todos os dias de nossa história.
Não adianta furar fila, passar na frente. Não esperar o outro terminar de falar. Não esperar o outro escolher o que quer para si, para própria vida, não aceitar se o outro pensa ao avesso, se prefere comer homem ou mulher, ou ser vegetariano. Pra quê.

Você então vai gritar pelo quê? Para que os outros façam o que você não faz? Não adianta, é melhor parar. Se for pra ser assim, não faça nada, continue de valores iguais, é melhor parar. E aí, fica tudo como está, fica tudo no mesmo lugar.

Que dá no mesmo que sair gritando para ser ouvido, mas sem que tu faça nada de ação como essas todos os dias. As que realmente importam, que são força motriz da mudança. E não cansa o mundo em nos olhar, em esperar o final.

Se o seu levantar a bunda do sofá não se transforma em tudo isso, nesse tudo que é tão simples, e tão mais prático, é melhor que você deixe a bunda onde está. Para você também não cansar.

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