segunda-feira, 15 de julho de 2013

Meus livros, meus clássicos, meus.

Eu bem acho. Calvino tá mais que certo, e mais professores aí também. Ler um clássico mais de uma vez, mais de duas vezes, assim, ao longo da vida, transpassando as eras da sua existência de viagem única, os estágios piagetianos e o que mais seja. Um mesmo livro em épocas diferentes são mesmo livros diferentes. Essa ideia meio alargada por senso comum dá margem pra muito texto bom de autor bom por aí. E é o que subjaz a leitura a escrita a crítica e o tempo vazio de quem faz crítica.

Mas veja. Eu não desprezo as listas, o Calvino ou o professor. Também não meu pai, que diz pra eu ler menos tanto de "autores novos". Insiste no tempo transpassado. Na literatura de tempos transpassados, esses ditos clássicos. Mas como diz o louco da plateia, ou o chato da sala de aula, "concordo em partes". Com esse papo de clássico.

Cheia de achismo senso comum, eu mesma digo que euzinha acho: quem diz o que é clássico é você mesmo; e o que é, ou o que foi clássico pra você. São esses aí que você tem que respeitar mais. Ler mais, ler de novo. Espremer o dorso até que o livro grite e se explique: é clássico. Pra você. E por quê.

A despeito de qualquer lista ou biblioteca de envergadura. Eu já elenquei a releitura de Marçal para um outro ano. E de Galeras. São livros cujas histórias me dão saudade. Ou nostalgia, pra parecer menos sentimental. Eu às vezes me pego pensando nos personagens, lamentando que eles não estão mais no meu dia, que ficaram recolhidos sobrevivendo sua mesma história na minha estante (dessa minha biblioteca sem envergadura e sem lista renomada de títulos clássicos). Eu vejo um ou outro personagem pela rua e quase bato o carro no susto. Pulou do livro, chateado com minha ausência. Mas já prometi encontrá-los novamente, em dias clássicos mais para frente. Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, Barba Ensopada de Sangue, Cachalote vão no aguardo.

Tchekov com seu Beijo e suas Outras Histórias também me esperam para um outro dia. Me recomendaram sua leitura à guisa de oficina, já pensou se isso não é clássico que se guarde para lê-lo em repetido para sempre?... E O Apanhador no Campo de Centeio. Aquele empréstimo em boa hora, que de bom grado devolvi, mas ainda tenho catado com os livreiros, que só me respondem negando. Tá ruim de encontrar esse livro - que ainda não procurei tanto; não está na hora de reler esse meu clássico, espero um pouco mais.

E meus dois clássicos que devem de virar livros de cabeceira um dia, no dia de menos conflitos existenciais fajutos como esses que tenho, no dia de menos angústias cortantes como essas que tenho, que acho que me matarão rapidamente se eu abrir sem preparo esses meus dois clássicos: Intermitências da Morte, O Escafandro e a Borboleta.

Meus clássicos à minha espera. Meus clássicos e a minha espera.

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