terça-feira, 23 de julho de 2013

Pede. Repete.

Repete. Pede mais.

Faz cinco dias que comprei o livro novo. Obedecendo a minha desobediência previsível de furar a fila dos livros, e de ler livros aos dois aos três ao mesmo tempo, arregacei logo esse compêndio de crônica, atraída pela capa colorida (julgo livro pela capa, me julguem, ok, desabafem) e pela boa escrita de quem escreve. Já sabia que ia ser bom.

Até porque, pelo título conhecido, pela capa conhecida, olhei o sumário e reparei logo. Eu, como fã não assumida, convicta dessa condição, mas guardando bem o segredo de participar do fã clube (desde a fundação!), vi logo uma lista de crônicas dentre as quais tinham velhas conhecidas. As Maiores Mentiras de Verão trariam um pedaço ou outro do Verão Veraneio e do É Tudo Mentira; e principalmente as novidades das quais se sabe de lá pra cá. Acho que meu diagnóstico foi preciso (!).

Acontece que, você tendo um livro inteiro nas mãos, pega mal, pega bem mal, pular "o que você já sabe". A gente só faz isso no colégio, na véspera da prova, quando pula o capítulo quase inteiro porque... vai ler só o resumo e se virar no dia seguinte só com isso mesmo. Livros são para serem lidos inteiros (mas eu pulei o prefácio, porque existe o conselho ali de que se você estiver cansado, pule quatro casas, digo, quatro páginas), independente do que você já conheça ou já saiba sobre ele. Até porque, vou te contar esse segredo, livro bom tem um negócio esquisito de te dar a sensação de prazer, de diversão, até de uma certa leveza. Uma droga lícita cujo único efeito colateral é afastar você do trabalho, do estudo, e da louça pra lavar. E lá se foi um dia inteiro sem cumprir esses itens.

Acontece que esse livro me deu das melhores sensações que não têm a ver com lazer, prazer, louça suja porque existem coisas mais importantes do que isso, o livro é uma delas, a principal delas, nem com a façanha de cumprir 170 páginas. Eu já conhecia algumas histórias, já sabia como começavam e terminavam, quais piadas estariam ali, e da minha reação na primeira vez que as li. Eu fazia aquela cara de universitária que já sabe o final da frase do professor e fica cheia de si, praticando o esporte de ser blasé. Coitada.

Eu ri tudo de novo. Eu li o livro inteiro em respeito ao livro (depois à crônica, à quem inventou o termo Galado, à Devaneio e às proparoxítonas, à minha vontade autêntica, e, por último, ao autor), como dito. Eu reli textos que eu já havia lido uma, duas, três vezes antes dali, em anos anteriores. Mas minha aura blasé perdeu força no primeiro parágrafo das Mentiras. Eu sorria e ria, alternando com gargalhadas, e, como característica minha, que entendo piadas depois que todos já pararam de rir, eu começava a rir da crônica anterior quando passava para a próxima. E fechava o livro para rir melhor, com agrado.

Encontrei mais respostas, e mais definições. E agora eu volto pro ponto de falar das melhores sensações que tive lendo as Maiores Mentiras, que não foram lazer, prazer, etcétera, tá bom. A crônica boa é a que repete. É a que repete o riso, o sorriso, insiste na piada e não cansa. E bota quem lê pra sorrir diante dela. E pra se espelhar, rindo de si mesmo, com uma vergonha travestida de orgulho (ou o contrário), você se vendo ali no livros dos outros. A crônica boa não cansa, nem fica pra trás. Ela é cotidiano atravessando o tempo, viajando pra frente e pra trás, e por isso não perde a graça. Crônica boa é crônica que não perde a graça. Autor bom é o que não perde o riso dos outros.

Lendo os antigos e os novos de Fialho, dá pra se sentir como sentando com um velho amigo na mesa do mesmo bar, do bar de sempre, tomando a cerveja de sempre (a única que o bar serve), e ouvindo-o repetir as boas histórias de vocês dois. Também as mesmas de sempre. Você já sabe como começa e como termina, mas quer ouvi-lo mesmo assim, porque sabe que vai valer a pena vê-lo contar. E também aumentar,  mentir, não só contar, né, sobre os fatos. Tudo pra não perder a piada. Um galado. (Pensei alto.)


P.S.: Não vou publicar trechos do livro aqui para não ser posteriormente acusada dos melhores spoilers das maiores mentiras que já foram contadas sobre o verão. Um abraço.

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