quinta-feira, 18 de julho de 2013

Vem, tarde

E em cada dia mais sorumbática, isolada, tremendo de frio e de solidão. E em casa, cada dia mais sorumbática, isolada, sentindo frio, com solidão. Temperando as costelas à mostra com mais textos que se derramam em sonhos. Com mais de mim mesma se derramando nos livros. Se pulverizando no meio deles depois. E não sobrando nada meu. Ficou tudo lá. E já estava. Eu li de entrega e perdi o que me restava. Existem tantos iguais a mim assim. Que coisa de ser comum. Existem poucos. E por coincidência me estrepei comigo mesma lendo meu texto que nunca escrevi. Sem perguntas. Cada vez menos interrogações. Vazio e não-palavra. Mais sorumbática, soturna, sozinha. Apreciando a companhia de si mesma. Conversando de igual para igual com a solidão. Não há quem sinta falta. Quem mais sente falta de mim enquanto saio fingindo sorrisos e soltando cabelos é só ela, ela mesma. Eu mesma solidão.

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