terça-feira, 27 de agosto de 2013

A terça básica

Todo mundo surpreso. Todo mundo com vergonha agora. Estarrecido. Indignado. Todo mundo mais que isso. Aonde tanta gente enfiou o respeito e a noção breve e limitada de que existem mais pessoas no mundo além de você, mais pobres, mais famintas, mais difíceis de viver com... respeito. É preciso encontrar esse depósito logo, para que as coisas voltem ao normal. É preciso acender algumas lâmpadas. Algumas centenas de milhares. E ainda há gente que precise ser lembrado o tempo inteiro...

Faz já seu tempo que não opino mais, que não opino tanto. É tudo tão inflamado e hostil, as inimizades hoje surgem tão fáceis (por que será, hein?), que eu desliguei minhas antenas wi-fi (simbolicamente falando; realisticamente, minha banda larga tem feito isso, de fato, dia sim dia não) para evitar o desgaste. Dos dedos nas teclas. Mas:

O problema é que, no fim das contas, tudo gira em torno não de políticas públicas nem de projetos milionários. Nem de regulamentar a profissão mais bem regulamentada da história da humanidade. Muito menos de acordar ciclopes - e isso seria tão mais fácil. Começa e termina, e por assim fica, por toda a eternidade, em cima de um abismo imenso que agora temos, o lugar onde deveria haver praticamente a única coisa que nos faz legitimamente humanos: o respeito. O lembrete básico de que o outro é tão igual a mim, assim como sou igual a ele. E esse outro não tem predicados nem variáveis associadas. É um outro. E, justamente por falar assim, de um jeito anônimo e indefinido, sem sabermos nem podermos defini-lo muito mais, é que devemos encobri-lo de respeito. Sem exageros. É assim que tem que ser.

Hoje é aniversário da minha profissão, e sei que é mais um dia onde os psicólogos renovam esses votos aí, que eles valorizam tanto, militam, se tornam às vezes insuportáveis vendendo essa ideia básica, que é somente um componente vital para se estar em sociedade. E para que a gente não sucumba. Se sua profissão segue pelo mesmo, se o seu trabalho é cuidar de uns outros, não esqueça dessa regra. Não esqueça. Um dia você incorpora, e a gente quem sabe vive melhor assim.

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