domingo, 25 de agosto de 2013

Chicletes, lambidinha, e mais de Ana

Lá estava eu outra vez com a Ana, só nós duas, cochichando como duas colegas da escola, experimentando os minutos antes do sono para trocar histórias e rir um pouco de si mesmas.

Eu estava lendo mais um livro dela. Ela não veio passar o sábado aqui em casa nem tomamos leite quente antes de dormir. Nem tiramos no par ou ímpar para decidir quem ia para a cama e quem ficava no colchão. Foi só mais um livro dela que parecia eu. Porque, como acho que muitos devem de dizer igual a mim por aí, existe uma identificação muito própria com o texto de Ana Elisa Ribeiro. Pelo menos daqui pra lá, há. Sempre róla. E como eu atestei pelo Capitu, é assim mesmo, você lê, concorda, concorda de novo, se encontra, diz eu também! inúmeras vezes, e, quando viu, entrou na cozinha e sentou pra conversar com ela (com a Ana, com Capitu não há tanta troca assim). E dessa vez a intimidade foi maior.

No Chicletes e Lambidinha, Ana Elisa fica mais próxima, mais perto de mim, mais Ana. Ela é ainda professora e literata, literatura pura, sem ser exagerada, dessas perdidas em devaneios que não interessam a ninguém. Não. Isso nem combina com ela. É que no Chicletes ela é mais mãe, mais estudante, mais filha, mais mãe (2), mais amiga, mais mais. É mais papo de café, de boteco, de carona no meio da semana. De novidade que se conta no fim do dia quando dois amigos se encontram por acaso, ou de propósito. Vai ver. Vai ler. Ana Elisa Ribeiro distribui uns pedaços seus em cada livro. Você descobre um pouco dela a cada vez. Isso é coisa de mineiro, deve ser, vai saber. "Prooonto", como fala o natalense, né, querendo dizer  sim e concordar.

O que mais me impressionou nos seus Chicletes, mais do que a qualidade absoluta de tantas, tantas crônicas (o título poderia ser Chicletes, lambidinha & muitas crônicas; Chicletes, lambidinha & muitas ótimas crônicas; Chicletes, lambidinha & todas as crônicas são legais, pode ler, vá), foi uma mescla muito curiosa de lirismo e boa história, de humor em texto belo, umas verdades claras numa escrita branda. Coisas que a gente quase nunca mistura, que dá trabalho, quase sempre pode dar errado. Você só pode ser uma coisa de cada vez. Ana parece que não. Os textos terminam muitas vezes com uma frase tão bela e tão plena, que dá vontade de sorrir. Eu sorri.

Está aqui, ele, cheio de orelhas, sublinhados, riscos, interjeições. Tamanha foi minha surpresa de ver tanto texto simples com fim belo, tanta coisa difícil de se falar em palavras simples. Essa mistura é caso pra livro-de-cabeceira ou livro-de-consulta na estante (já usei para esse fim esses dias). É caso pra se ler e guardar para a vida toda.


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