terça-feira, 20 de agosto de 2013

Nossa voz

E eu deito na cama e me ponho a te chamar pelos lábios, simplória. E você ao lado esperando o fim de tarde arrebentar e ir embora duma vez, para que o café fique pronto.  Eu balbucio e depois escancaro os lábios. As cordas vocais vibrando. Você vê, sinto eu.

É um nome muito bonito esse, você não vê? Eu acho. Termina em ditongo. É paroxítona terminada em ditongo. Por isso acentuada. Mas nome próprio não é obrigado que se acentue. Seus pais que seguiram à risca. Como provável que a gente faça com a Olívia. Mas se vier ele, não vai ser Olívio. Nem Olivio.

Você sai até não sei mais onde e eu chamo, mais vezes, mais vez. Me ouço pelos quatro cantos da casa, agora. E escuto o nome que dá nome ao dito sentimento mais nobre de se conhecer em vida, segundo dizem. E me escuto dizer o nome que nunca digo, dono desse sentimento que tenho o tempo inteiro. Como pode. É esquisito.

Esquisito que é mais ou menos como se diz que algo é delicioso, lá no Chile.
E eu me delicio. Te chamo outra vez.

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