sábado, 3 de agosto de 2013

Odeio-o

Dos por quês de eu odiar o aniversário.

Não tem nada de crise com velhice. Aquela de quando a gente entra nos vinte, abandona o dezenove, as idades eufóricas da maioridade, e as melhores idades que tem-se para trás, diz-se, lá vem o outro falar que a melhor idade é a que temos hoje, adormeci, calma, volta. A idade só fica ruim de vez em quando. No final das contas ela nunca faz diferença nenhuma.

Eu nunca soube dizer exato por quê, mas ano passado e esse pensei mais. Continuo sem saber, óbvio, mas até que arrisco.

Quando eu era mais jovem, menos velha, criança, enfim, não lembro das odiosas homenagens à agosto. Sério. Na minha ingenuidade (sou jovem - ainda), o mês oito do desgosto é produto do twitter. E das noivas que já erraram na escolha do noivo e procuram desculpa pra adiar o casamento pra setembro. Se der errado casar em agosto não foi culpa delas, foi do mês da festa. (Da festa.)

É chegar dia 31 de julho e a galera começa o alvoroço. Se perder a hora na manhã do dia primeiro já sabe porque foi, né. Agosto, desgosto, dá tudo errado nesse mês, ave maria, chegue logo setembro. Você ter dormido às duas da madrugada ontem não quer dizer nada.

São 31 dias porque, sim, não basta ser ruim, dar desgosto, azar, larva migrans e má índole, ele ainda dura 31 dias, mesmo acontecendo logo depois de um mês que também dura 31 dias - mas isso se dá por causa dos ossinhos da mão, gente, julho e agosto precisam ter 31 manhãs pra fazer jus à anatomia que os justifica. E eu com meu aniversário para o fim do mês. Não basta ser agosto, não basta agosto ter 31 dias, eu ainda tenho de esperar o mês quase inteiro por um dia que eu não quero que chegue. Ouvindo todas as pessoas reclamarem dos maus agouros do "meu" mês.

Aí fiquei imaginando o que minha mãe pensou quando eu nasci, né. Encontrei todas as justificativas psicanalíticas para odiar meu aniversário (que significam você fazer qualquer tipo de associação pulsional, e, veja, parto, mãe, vagina, o falo de nove meses atrás, meu irmão mais velho vivendo o Complexo de Édipo à mesma época, foi tudo muito fácil de se associar).

Mas não. Ainda tô na dúvida.

Eu acho que comecei a odiar o aniversário quando comecei a perceber como as pessoas se comportam diferentes com você no "seu" dia. Como se você fosse a melhor coisa que já tivesse existido para elas. Sim, claro, para seu pai, sua mãe, que mesmo tendo parido-o em agosto, isso pode ser uma verdade absoluta. Mas no certo eu não suportava tanta gente me abraçando e dizendo que queria minha felicidade. Oche, e por que furasse meu olho na 5ª série, sebosa?, eu me perguntava.

Eu nunca fiz muita festa pelo aniversário de ninguém. E, hoje em dia, não é para todo mundo que eu telefono e felicito como se não houvesse amanhã. Há amanhã. E, mais ainda, houve muitos ontens. E às pessoas que eu acho, de verdade, que foram das melhores coisas que me aconteceram, eu peço o abraço delas sempre. E desejo "tudo de bom" de formas mais genuínas e sinceras: penso nelas em dias importantes e desimportantes, me importo com elas ainda mais em dias anônimos, e sou feliz quando elas também são.

Não tem falo nem Freud nessa conversa. O mês não importa. Poderia ser qualquer outro dos onze, e eu sentiria essas mesmas agonias, essas que vocês sentem de agosto. Um mês que tem o verbo "gostar" embutido, e vocês procurando "desgosto" no lugar. O problema está é em vocês, eu acho. Não no mês.

Que seja. Que o dia que eu não gosto desse agosto fique com mais gosto. Por mais abraços verdadeiros. E por um aniversário realmente "tudo de bom". À todos os nascidos no mês oito, claro.

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