terça-feira, 17 de setembro de 2013

E tomara que não

E que algo me livre de eu ficar sem você. Já pensou?, eu pensei. Sem você não teria manhã de domingo preguiçosa. Nem domingo preguiçoso. Não teria filme ruim no primeiro encontro, no segundo, no terceiro, e ao longo dos anos. Escolhidos por você. Não teria filmes ruins sempre escolhidos por você. Nem teria os surpreendentemente bons escolhidos por mim e com você dando o braço a torcer ao final - às vezes.

Sem você não teria restaurante preferido no meio da semana. Nem esse café nem esse cheiro de café que só lembra nós dois. Se não houvesse você eu não leria livros em voz alta, nem trechos, nem frases. Porque não haveria ouvidos cúmplices de nós. Não haveria verão com sono e com pouco mar. Nem quem me fotografasse o tempo inteiro em trajes típicos de vida comum, de vida nossa, de ser mais de nós dois que de cada um.

Sem você não teria gargalhada sem precedentes, nem as cócegas, o aperto, o beijo nos pés. Não haveria olhos que escaneiam, ensaiam imagem, se compenetram. Sem você não teria tanta concentração em ser nós dois. E nem teria ternura nem abraço nem assim tanto amor. Muito menos tanto ímpeto de amar.

Ainda bem que há; tudo há. O haver no presente, especialmente, ele há.

2 comentários:

Deyze disse...

Lindo!

Rodrigo disse...

Realmente lindo e com um pouquinho de mim e acho que de cada um. Gostei demais!