sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Estranhamente confortável

E tomava a cerveja em goles fartos, olhando com certa altivez e falando comigo sem me olhar tanto nos olhos. Tantos olhavam para ela. Falava com tantas pessoas diferentes nesse dia, e estava com meninas e menino que eu nunca tinha visto ali. Mas todos confortáveis em estar naquele lugar, em estarem uns com os outros. Ela estranhamente confortável.

Emanava sorriso triste e liberdade. Parecia ter os braços abertos para algo enquanto parecia não se importar com nada. Estranhamente confortável.

Havia trocado os sapatos de salto médio e bico fino por um tênis esporte, uma camiseta, um cabelo bem solto e mais claro. Mas tinha os olhos apertados como eu nunca tinha visto antes, não nela, e pensei sobre choro.

Eu ouvia sua voz mais alta, e ela mal ouvia sua própria voz. Os sorrisos tristes e os goles fartos na cerveja, o garçom aparecendo à cada sorriso como aquele. Parecia combinado.

Mas gargalhava e recebia olhares nos olhos, peitos e coxas. Mal se via tanto disso. Mas chamava a atenção, sendo ela, meio que outra, uma espécie de novidade para o salão.

Sem a aliança na mão direita. Menos serenidade na sua gargalhada, hoje eufórica e rouca. Salão de olhos nela.

Bebeu mais goles cheios e copos inteiros, não voltou cedo para casa. Recebeu mais olhos de outros e teve mais gargalhadas roucas, mostrando-se num conforto estranho em estar viva.

Em insônia, horas depois, descansou o sorriso triste em mais lágrima. Pedindo que a felicidade fingida fosse toda verdade.

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